Relações Internacionais é um bacharelado de no mínimo 2.700 horas1. O curso forma para atividades com interface internacional em governos, universidades, empresas, organizações internacionais e ONGs1. Na USP, a duração ideal é de 8 semestres2. No teste vocacional RIASEC, numa leitura nossa, ele tende a puxar três interesses: Investigativo, Social e Empreendedor.
Quanto tempo dura a faculdade de Relações Internacionais?
Pela diretriz, o que existe é um piso de horas, e não um número de anos. As regras nacionais do curso saíram em 20171 e fixam pelo menos 2.700 horas1. Quantos semestres isso vira, cada faculdade indica no seu projeto1.
Na Universidade de São Paulo (USP), o tempo ideal é de 8 semestres, com mínimo de 7 e máximo de 122. As 2.700 horas já incluem 300 horas obrigatórias de extensão2.
Na Unesp, o curso existe em duas cidades, Marília e Franca3. O de Franca leva entre 8 e 12 semestres3.
O que se estuda em Relações Internacionais?
A relação entre países, vista por várias ciências humanas. O guia que a Unesp publica sobre os próprios cursos descreve a área como tudo o que se refere à relação entre Estados nacionais3. Para dar conta disso, a formação pede história, geografia, ciência política, sociologia, antropologia, economia e direito3.
A diretriz organiza os conteúdos em quatro eixos1:
- Estruturante. É obrigatório e reúne Teorias das Relações Internacionais, História das Relações Internacionais, Economia Política Internacional, Ciência Política, Direito Internacional e Direitos Humanos e as organizações internacionais, entre outros1.
- Interdisciplinar. Traz economia, direito, filosofia, sociologia, antropologia, geografia, estatística, metodologia e ética1.
- Atividade profissional. Inclui simulações de negociações, construção de cenários, análise de conjuntura e projetos de cooperação técnica1.
- Complementar. Conta seminários, palestras, grupos de pesquisa e eventos científicos e culturais1.

Na USP, semestre a semestre
A USP apoia o curso em quatro áreas: Ciência Política, Direito, Economia e História2. A primeira metade, de dois anos, é o tronco básico2.
O 1º semestre tem Instituições de Direito, Fundamentos de Microeconomia, História das Relações Internacionais I, Introdução à Ciência Política para Relações Internacionais e Estatística Aplicada I2. No 2º vêm Teoria das Relações Internacionais I e Estatística Aplicada II2.
Regimes e Organizações Internacionais fica no 3º semestre, e Direito Internacional Público e O Brasil e as Relações Internacionais, no 4º2. O 5º traz Negociação Internacional e Solução de Controvérsias2. Daí em diante, as eletivas deixam o aluno aprofundar a formação conforme os próprios interesses e aptidões2.
A ênfase muda de faculdade para faculdade
Cada curso pode seguir uma vertente própria1. Essa ênfase não muda o nome do curso nem vira habilitação1. Em Franca, por exemplo, a grade da Unesp inclui Estudos Estratégicos, Ações Humanitárias Internacionais e Integração Regional da América Latina3.
A diferença para os cursos vizinhos está no recorte: aqui o direito e a gestão aparecem pelo lado internacional, enquanto o post sobre a faculdade de Direito e o post sobre a faculdade de Administração mostram cada área inteira.
Precisa saber inglês para fazer Relações Internacionais?
O inglês é uma das competências que o próprio curso deve formar. A diretriz pede capacidade de compreensão em língua estrangeira, “em especial em língua inglesa”1, ao lado da comunicação oral e escrita em português1.
Na USP, a grade não tem disciplinas de idiomas, mas os estudantes são fortemente incentivados a aprender outras línguas2. O formado que a universidade quer é alguém que se expressa por escrito e oralmente em pelo menos um idioma além da língua materna2.
Quem pensa no concurso de diplomata encontra Língua Inglesa entre as matérias da prova objetiva4.
Para quais interesses do teste vocacional Relações Internacionais combina?
Três deles, numa leitura nossa: Investigativo, Social e Empreendedor, cada um preso a um pedaço do curso. De onde vêm os seis tipos e o que cada letra quer dizer, o post sobre a teoria de Holland explica.
Investigativo: análise e cenários
A diretriz pede métodos quantitativos e qualitativos para analisar fenômenos de política internacional1 e capacidade de formular cenários1. Cenário é terreno de quem, como descreve a página do perfil, quer saber de onde veio o número e o que aconteceria se a premissa mudasse5.
Na página do Investigativo, pensar de forma abstrata e teórica aparece entre os pontos fortes5, e o eixo obrigatório do curso começa pelas Teorias das Relações Internacionais1. O ponto de atenção vem da mesma página. Atividades que exigem persuasão ou vendas estão entre os desafios do tipo5, e o curso tem simulações de negociação1.
Social: gente de outros lugares
Entre as competências da diretriz estão as habilidades interpessoais, com consciência social, responsabilidade social e empatia1. O eixo profissional também trata dos aspectos interculturais1.
Conectar-se com pessoas de diferentes perfis é um dos pontos fortes do Social6. Para ele, a parte mais difícil tende a ser a leitura e a escrita solitárias: trabalhar de forma isolada por longos períodos está entre os desafios do tipo6, e o trabalho de conclusão pode ser uma monografia1.
Empreendedor: negociar e decidir
A diretriz cobra planejamento, condução e avaliação de negociações1 e a capacidade de planejar a internacionalização de organizações1. A USP põe entre as funções do formado formular estratégias de inserção internacional de setores econômicos e de organizações políticas e humanitárias2.
Na página do Empreendedor, pensar estrategicamente a longo prazo e tomar decisões sob pressão estão entre os pontos fortes7. Uma simulação de negociação costuma pedir as duas coisas.
Faça o teste vocacional
Análise, gente ou negociação: o resultado mostra quais desses interesses entram no seu código de três letras e em que ordem, do mais forte para o menos forte8.
Descubra seu código RIASEC. Responda ao teste e veja seus interesses organizados no código RIASEC.
Fazer o teste vocacional
O estágio é obrigatório em Relações Internacionais?
Depende da faculdade. Pela diretriz, tornar o estágio obrigatório é opção de cada instituição1, e a USP não prevê estágio obrigatório no currículo2. O Trabalho de Conclusão de Curso é obrigatório e pode ser monografia, projeto de iniciação científica ou projeto de atividades1. Na USP, ele ocupa duas disciplinas, no 7º e no 8º semestres2.
A formação também conta seminários, palestras, conferências e grupos de pesquisa1. Em Marília, a Unesp prevê 300 horas de extensão, o equivalente a 10% da carga horária3. Um dos programas é o Núcleo de Acesso a Imigrantes e Refugiados (NAIR)3, que assessora imigrantes e refugiados no acesso a informações3.
Lá, a Unesp cita grupos extracurriculares, entre eles um voltado à formação empresarial e outro aos estudos e à pesquisa em organizações internacionais3.
O que faz quem se forma em Relações Internacionais?
Trabalha onde há relação com outros países, no setor público ou no privado. A diretriz cita governos, universidades, empresas, organizações internacionais, ONGs, consultorias e mercado financeiro1. Pelo guia da Unesp, o formado também pode ir para comércio internacional, diplomacia e assessoria empresarial3, e para órgãos públicos de todas as esferas3.
A USP lista funções como consultoria a empresas e ao setor público sobre oportunidades de investimento2, comércio internacional e apoio a investimentos2 e participação em negociações entre agentes de diversas nacionalidades2. Também entram atividades acadêmicas e de pesquisa2 e o setor financeiro, com operadores, estrategistas, analistas e consultores2.
Pesquisa, cooperação, comércio e mercado financeiro tendem a atrair interesses diferentes. Com as páginas dos perfis do teste ao lado, numa leitura nossa:
- Pesquisa e análise. Ensino e pesquisa estão entre as saídas2, e formados da Unesp também viraram docentes no ensino superior3. Tende a puxar o Investigativo, que tem entre os pontos fortes analisar dados e informações complexas5.
- ONGs e cooperação. A diretriz pede saber formular, negociar e executar projetos de cooperação internacional1. Costuma combinar com o Social, que rende em organizações sociais6 e tem entre os pontos fortes trabalhar em equipe de forma colaborativa6.
- Negociação e comércio internacional. Os dois estão na lista da USP2. Tende a ser o terreno do Empreendedor, o mesmo interesse do argumento no post sobre a faculdade de Direito.
- Setor financeiro e normas. A USP cita o setor financeiro2, e a diretriz pede domínio de instrumentos normativos internacionais1. Fica perto do Convencional, com capacidade de seguir normas e padrões e de trabalhar com números e dados com precisão9.
Diplomata precisa fazer Relações Internacionais?
A notícia do edital de 2026 não cita um curso específico4. A carreira entra por concurso público do Instituto Rio Branco4, e o requisito de escolaridade é diploma de conclusão de curso de graduação de nível superior4. Na USP, o serviço diplomático aparece entre as oportunidades de quem se forma2.
Dá para fazer Relações Internacionais EAD?
O decreto federal de 2025 organiza a graduação em presencial, semipresencial e a distância10 e não cita Relações Internacionais entre os cursos que ficam só no presencial10. Na USP, as aulas são à tarde ou à noite, de segunda a sexta-feira2.
Fontes
- Conselho Nacional de Educação, Câmara de Educação Superior, 2017. Resolução CNE/CES nº 4, de 4 de outubro de 2017: Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Relações Internacionais, bacharelado (DOU nº 192, 05/10/2017, Seção 1, p. 18). Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Universidade de São Paulo (USP), Instituto de Relações Internacionais, 2024. Projeto Pedagógico do Bacharelado em Relações Internacionais. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Universidade Estadual Paulista (Unesp), 2024. Guia de Profissões 2024: Relações Internacionais (p. 164 e 165). Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Cebraspe, 2026. IRBR: publicado edital do concurso público para a carreira de Diplomata. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Perfil Investigativo. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Perfil Social. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Perfil Empreendedor. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Qual faculdade fazer? Use seus interesses para escolher o curso. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Perfil Convencional. Consultado em 29 de outubro de 2026.
- Presidência da República, 2025. Decreto nº 12.456, de 19 de maio de 2025: dispõe sobre a oferta de educação a distância por instituições de educação superior em cursos de graduação. Consultado em 29 de outubro de 2026.