Relacionamento interpessoal no trabalho é a rede de relações entre as pessoas que trabalham juntas, dentro e fora do que o organograma prevê. Ela se faz de trocas pequenas, de ajuda dada e recebida, que nem sempre ganham agradecimento. Lida ao lado dessas trocas, a descrição do seu Tipo Principal, no Eneagrama, ajuda a ver em que formato a sua parte costuma chegar aos colegas.
O que é relacionamento interpessoal no trabalho?
É o conjunto das relações entre quem trabalha junto: com os colegas, com a chefia, com os clientes. Pelo dicionário, interpessoal é o que implica uma relação entre duas ou mais pessoas1. No trabalho, parte dessas relações vem do organograma, e parte nasce em volta dele.
Num artigo de 2022 sobre o tema, Costa, Silva e Flores chamam essa segunda parte de organização informal2. É o conjunto das relações interpessoais que nascem da própria estrutura formal da empresa, com amizades, antagonismos e grupos que se mantêm por interesses comuns2. O almoço da mesma turma toda sexta e o colega a quem todos perguntam antes de ir à chefia fazem parte dessa rede.
Interpessoal e intrapessoal
As duas palavras são parecidas, e a diferença está na direção. Intrapessoal é o que diz respeito ao conhecimento de si ou à relação da pessoa consigo mesma3; interpessoal é o que acontece entre pessoas.
O Tipo Principal é uma informação intrapessoal que você leva para as relações de fora. A parte de dentro, a de se conhecer, é o assunto do post sobre autoconhecimento.
Qual a importância do relacionamento interpessoal no trabalho?
A relação com os colegas pesa nos resultados de cada pessoa no trabalho. Numa meta-análise de 2008, Chiaburu e Harrison propõem que o apoio e o antagonismo dos colegas se ligam a resultados importantes de cada trabalhador: a percepção do próprio papel, as atitudes no trabalho, o afastamento e a eficácia4.
Com testes baseados em 161 amostras independentes, de 77.954 trabalhadores, os autores encontraram apoio para a maior parte dessas ligações4. Os resultados se mantiveram quando os autores controlaram a influência da chefia4. O colega da mesa ao lado conta por si, e não só como reflexo de quem coordena a equipe.
O artigo de Costa, Silva e Flores conta, a partir de Mailhiot, uma experiência de Lewin com a própria equipe de pesquisa. Os pesquisadores perceberam que as relações entre eles, aparentemente confiantes e positivas, eram inautênticas, porque não se apoiavam em comunicação aberta2. Quando a equipe identificou onde a comunicação travava e era filtrada, o relacionamento ficou mais autêntico, o que permitiu a integração das pessoas no trabalho2. O que o grupo descobriu, nas palavras de Mailhiot:
“A produtividade de um grupo e sua eficiência estão estreitamente relacionadas não somente com a competência de seus membros, mas sobretudo com a solidariedade de suas relações interpessoais”2.
Por que a contribuição de um colega pode passar despercebida?
Uma suspeita para conferir na sua equipe: a contribuição que tem o formato da sua é a que você enxerga com mais facilidade. Na mesma semana, os colegas contribuem em formatos diferentes, como o recado deixado por escrito ou a folga trocada de última hora.
A que chega em outro formato pode passar por simples obrigação do colega, ou nem ser notada, e aí fica sem agradecimento. Quem reconhece o próprio formato na descrição do Tipo Principal pode procurar, de propósito, o que os outros oferecem de outro jeito.
O post sobre os 9 perfis do Eneagrama traz os sinais de cada perfil na convivência e uma cena comum de cada um. Do lado de quem lidera, o post sobre o Eneagrama na liderança faz a mesma conferência com o que o líder valoriza numa entrega.
Para empresas. Para equipes que querem cuidar das trocas entre colegas, a página do Eneagrama para empresas promete clareza sobre o que motiva e o que estressa cada pessoa5.
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Faça o teste de Eneagrama
A comparação entre o que você oferece aos colegas e a descrição do seu perfil começa pelo Tipo Principal. O teste abaixo tem 22 perguntas e leva cerca de 5 minutos.
Como melhorar o relacionamento interpessoal no trabalho?
Cuidando das trocas do dia a dia: o que você oferece, o que recebe, o que agradece e o que pede. Os quatro passos abaixo servem para qualquer equipe, e o primeiro usa o Tipo Principal.
- Faça a lista das trocas com três colegas. Escolha as três pessoas com quem você mais trabalha e escreva, para cada uma, o que você deu a ela nos últimos dias e o que recebeu. Compare a coluna do que deu com a descrição do seu Tipo Principal e veja se o formato se repete. Na coluna do que recebeu, marque o que chegou num formato diferente do seu.
- Agradeça pelo nome da contribuição. Num estudo de Grant e Gino, de 2010, um breve agradecimento por escrito levou quem tinha ajudado a ajudar de novo, tanto quem agradeceu quanto outra pessoa6. O efeito passou pela sensação de ter valor social, e não pela confiança na própria capacidade6. Num experimento de campo, o agradecimento de um gestor aumentou o número de ligações feitas por quem arrecadava fundos para uma universidade6. Diga o que a pessoa fez e o que aquilo evitou ou permitiu.
- Peça ajuda de forma direta. Em estudos de Flynn e Lake, de 2008, as pessoas subestimaram em até 50% a chance de os outros aceitarem um pedido direto de ajuda7. Quem pedia dava menos peso ao custo social de dizer não do que quem receberia o pedido, e olhava, em vez disso, para o trabalho que a ajuda daria7. Se a coluna do que você recebeu ficou curta, confira quantas vezes você pediu.
- Ofereça ajuda com uma pergunta. Num experimento de 2003 com 48 trabalhadores administrativos temporários, Deelstra e colegas viram a ajuda imposta provocar reações negativas8. A exceção foi o problema sem solução, e mesmo nele o efeito da ajuda imposta foi neutro, e não positivo8. Antes de assumir a tarefa do colega, pergunte de que jeito a ajuda serve a ele.
Um exemplo. Numa pousada, a recepcionista da noite fez o teste e leu a descrição do próprio Tipo Principal. Quando um hóspede chega na hora da troca de turno, costuma ser ela quem o atende, para o colega do dia sair no horário. Na lista de trocas, o que ela oferece a ele aparece logo, mais de uma vez na semana, e o formato bate com o que ela leu na descrição.
Na coluna do que recebeu, quase nada, até ela pensar no caderno de passagem de turno. Todo fim de tarde, o colega do dia deixa escrito o que ficou pendente: o hóspede que espera um reembolso, o quarto com o chuveiro em conserto, o que foi prometido a cada um. Ela nunca tinha agradecido, porque aquilo parecia parte do serviço.
Na troca de turno da manhã seguinte, ela agradece pelo nome: o recado sobre o reembolso evitou que o hóspede contasse a história de novo às onze da noite. Depois, faz o pedido direto que nunca tinha feito: que ele anote também quem vai sair de madrugada.
O resultado do Eneagrama descreve a relação com um colega?
Não. O resultado descreve uma pessoa, e a relação depende de duas e do trabalho que elas fazem juntas. Na meta-análise de Chiaburu e Harrison, a força da influência dos colegas variou com o sinal, o conteúdo e a gravidade dessa influência, e com a intensidade social da tarefa4.
Na lista de trocas, o Tipo Principal que entra é o seu. Para o colega que não fez o teste, o post sobre para que serve o Eneagrama mostra como agir quando só um lado tem o resultado.
Fontes
- Priberam, 2026. Interpessoal, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Costa, W. S.; Silva, M. A. S. L.; Flores, J. O., 2022. Relacionamento interpessoal no trabalho: contribuições teóricas de Lewin, Schutz e Gardner. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Priberam, 2026. Intrapessoal, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Chiaburu, D. S.; Harrison, D. A., 2008. Do peers make the place? Conceptual synthesis and meta-analysis of coworker effects on perceptions, attitudes, OCBs, and performance. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Eneagrama para empresas. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Grant, A. M.; Gino, F., 2010. A little thanks goes a long way: Explaining why gratitude expressions motivate prosocial behavior. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Flynn, F. J.; Lake, V. K., 2008. If you need help, just ask: underestimating compliance with direct requests for help. Consultado em 15 de outubro de 2026.
- Deelstra, J. T.; Peeters, M. C.; Schaufeli, W. B.; Stroebe, W.; Zijlstra, F. R.; van Doornen, L. P., 2003. Receiving instrumental support at work: when help is not welcome. Consultado em 15 de outubro de 2026.