DISC

Feedback: o que é e como dar feedback para cada perfil DISC

Feedback: o que é, quando ajuda e quando atrapalha, como dar feedback construtivo e como ajustar a conversa a cada perfil DISC.

Feedback: o que é e como dar feedback para cada perfil DISC

Feedback é a descrição do desempenho de alguém, com informação sobre a qualidade ou a quantidade do que a pessoa fez1. Numa meta-análise, o feedback melhorou o desempenho na média, mas mais de um terço das intervenções o piorou2. O perfil DISC de quem recebe não muda o que precisa ser dito. Muda o jeito de dizer.

O que é feedback?

É a informação que uma pessoa recebe sobre o trabalho que fez. A pesquisa não chegou a uma definição única: segundo Torres e Gusso, não há consenso sobre ela na literatura1. Uma das definições que os dois autores citam é esta:

“descrição verbal (escrita ou vocal) do desempenho, fornecendo informações acerca da qualidade ou da quantidade do comportamento de alguém”1

A palavra que pesa é descrição. Você precisa melhorar não descreve nada. A proposta de terça foi sem a tabela de custos, e o cliente perguntou por ela na reunião descreve o que aconteceu e onde.

No trabalho, conta também quanto feedback a pessoa recebe. Num estudo com 552 trabalhadores brasileiros3, Louro e Gabardo-Martins tratam o feedback no trabalho como a quantidade e a disponibilidade de feedback que chega a cada um3. Um dos itens da escala que eles usam mostra o que é essa disponibilidade no dia a dia: “O meu supervisor está sempre disponível quando quero saber a respeito do meu desempenho”3.

Qual a importância do feedback?

Uma das funções atribuídas ao feedback é mostrar a quem trabalha a ligação entre o esforço e o resultado3. Louro e Gabardo-Martins registram esse sentido a partir de Hackman e Oldham (1975): feedback como a entrega de avaliações diretas e claras do desempenho, para que a pessoa entenda essa ligação com mais transparência3.

Na análise do comportamento aplicada às organizações, Torres e Gusso descrevem o feedback como o procedimento de intervenção mais utilizado, com efetividade demonstrada em pesquisas básicas e aplicadas1.

Os estudos reunidos por Louro e Gabardo-Martins ligam o feedback também a temas que pesam para o RH. Peng e colegas encontraram correlação negativa entre feedback e fatores de estresse no trabalho, como ambiguidade e conflito de papel, e comportamento desviante3. Outros estudos observaram correlação positiva com satisfação no trabalho, comprometimento com a organização e retenção de pessoas3.

Para empresas que aplicam o DISC, a página sobre perfil comportamental lista, entre os usos práticos do perfil, dar linguagem para uma conversa de feedback4, e o post sobre avaliação comportamental mostra esse uso na liderança.

Feedback sempre melhora o desempenho?

Não. Na meta-análise de Kluger e DeNisi, publicada em 1996, as intervenções de feedback melhoraram o desempenho na média, mas mais de um terço delas o piorou2. A conta reuniu 607 medidas de efeito, somando 23.663 observações2.

O sinal do feedback, positivo ou negativo, não explica esse resultado, segundo os autores2. Os resultados sugerem outra coisa: a eficácia do feedback diminui à medida que a atenção se afasta da tarefa e se aproxima da própria pessoa2. Kluger e DeNisi também ressalvam que o efeito depende de características da tarefa ainda pouco compreendidas2.

Compare duas frases sobre o mesmo erro. Você é desatento leva a conversa para quem errou. A soma da página dois não bate com o total mantém a conversa no relatório. A segunda dá à pessoa uma conta para refazer; a primeira, uma acusação para rebater.

Quais são os tipos de feedback?

O estudo brasileiro de Louro e Gabardo-Martins ajuda a separar três divisões:

  • Positivo e negativo. Um reforça o que funcionou, o outro aponta o que precisa mudar. O estudo conta os dois como feedback no trabalho3.
  • Do gestor e dos colegas. Na escala brasileira, as perguntas se dividem em dois fatores, supervisor e colegas de trabalho3. O feedback do supervisor apresentou correlação positiva com o suporte do supervisor, e o dos colegas, com o suporte social no trabalho3.
  • De baixo para cima e 360. O feedback deixou de ser uma via de mão única: vai de cima para baixo e de baixo para cima, e inclui a autoavaliação, no que se chama de feedback 3603.

Feedback construtivo fica fora da lista porque é um jeito de dar qualquer um dos três.

O que é feedback construtivo?

É o feedback que a pessoa consegue usar. Ele fala do trabalho, e não de quem fez, e diz o que observar na próxima vez.

A primeira parte é o que os resultados de Kluger e DeNisi sugerem, mais acima. A segunda aparece em Torres e Gusso: na síntese dos autores, quem recebe o feedback não recebe só a descrição do desempenho, mas também descrições que o ajudam a identificar os aspectos relevantes do próprio comportamento para quando fizer aquilo de novo1.

Um exemplo, sobre o mesmo atraso:

  • Antes. Você nunca cumpre prazo.
  • Depois. O relatório de quinta chegou na segunda. Se o prazo apertar de novo, me avisa na quarta para a gente ver o que dá para cortar.

A segunda versão faz as duas coisas. Para montar frases assim no dia a dia, o post sobre comunicação assertiva traz uma estrutura em três partes e o risco de cada fator do DISC na hora de falar.

Como dar feedback, passo a passo

Quatro passos, na ordem em que acontecem:

1. Anote o que viu, com data. A entrega, o dia e o que aconteceu. Sem isso, a conversa vira troca de impressões, e cada um sai com a sua. 2. Escolha um ponto só. Cinco correções na mesma conversa viram uma lista de defeitos, e a pessoa não sabe por onde começar. 3. Olhe o resultado DISC de quem vai ouvir. O fator mais alto ajuda a escolher, antes da conversa, o jeito de entregar. 4. Diga o que manter, além do que mudar. A descrição do desempenho serve para a pessoa manter ou alterar o que fez1. Feedback que só aponta erro deixa de fora o que vale repetir.

Depois da conversa, volte ao assunto quando o trabalho mudar. Se a próxima entrega vier certa, diga isso também.

Como dar feedback para cada perfil DISC

Pelo jeito de abrir e de conduzir a conversa, que muda de um fator para outro.

O DISC descreve o estilo de comportamento4, e a página de cada fator diz como se comunicar com quem tem aquele fator alto5,6,7,8. Para o elogio, o post sobre os perfis DISC mostra quem prefere ser reconhecido na frente do time e quem prefere em particular.

Dominância (D)

Sem rodada de elogios para aquecer: para quem tem Dominância alta, rodeio costuma ser lido como falta de preparo5. Se a resposta vier dura, a página do fator pede que a franqueza dessa pessoa não seja levada para o lado pessoal5.

Influência (I)

Deixe a conversa começar antes do assunto6 e dê espaço para a pessoa falar antes de cobrar a resposta6. Se o ponto envolve números, traga o contexto junto: a página do fator pede para evitar despejar planilha sem contexto6.

Estabilidade (S)

Avisar antes e dizer o motivo, como mostra o post sobre os perfis DISC, vale também para marcar a conversa de feedback. Na conversa, deixe claro que discordar ali é seguro7.

Conformidade (C)

Aponte o ponto exato. Para quem tem C alto, a página do fator pede crítica ao ponto específico, e não ao conjunto8. O motivo é que essa pessoa tende a levar a crítica para o campo pessoal, porque o trabalho e o próprio padrão se confundem8. O post sobre comunicação assertiva também aponta esse risco no fator C. Antecipe a pergunta difícil, em vez de esperar que a pessoa descubra sozinha8.

Bolhas de conversa com a mesma mensagem de feedback e o jeito de entregar a cada fator do DISC, cada um na sua cor
A mesma mensagem, quatro jeitos de entregar.

Para empresas. Quando o time inteiro responde ao teste, quem lidera vê qual fator vem na frente em cada pessoa e usa isso para escolher como abrir cada conversa de feedback.
Ver como funciona para empresas

Faça o teste DISC

Para ver como o teste descreve uma pessoa, comece por você: responda abaixo e veja qual fator vem na frente no seu resultado.

O perfil muda o que precisa ser dito?

Não. A página sobre perfil comportamental é direta: dizer que é do perfil não justifica atrasar entrega, atropelar colega ou fugir de conversa difícil, e o perfil explica de onde vem a dificuldade, não dá permissão para ela4.

Isso vale para os dois lados. Quem dá o feedback não aumenta o tom porque a pessoa tem Dominância alta, nem tira o ponto da conversa porque ela tem Estabilidade alta. E quem recebe não encerra o assunto dizendo que aquele é o jeito dela.

Na avaliação com nota vale o mesmo: o post sobre como a empresa avalia o desempenho mostra que o resultado DISC entra depois dela, na conversa que a explica.

Como pedir feedback à equipe?

Pedindo de propósito e voltando ao time com o que ouviu. É o feedback para o chefe, a direção de baixo para cima da lista de tipos, e é o que permite a quem lidera corrigir o próprio trabalho.

Num estudo publicado em 1999, Walker e Smither acompanharam 252 gestores ao longo de cinco aplicações anuais de um programa de feedback de baixo para cima9. Os gestores que se reuniram com a equipe para conversar sobre o feedback recebido melhoraram mais do que os outros9. E a melhora foi maior nos anos em que eles discutiram com a equipe o feedback do ano anterior do que nos anos em que não discutiram9.

O retorno do time também mostra a quem lidera onde o próprio estilo atrapalha. O post sobre tipos de liderança traz o estilo que serve de contrapeso a cada fator do DISC, e é a equipe quem pode dizer se esse contrapeso aparece no dia a dia.

Ajuda trocar a pergunta genérica por uma concreta. Em vez de perguntar se alguém tem alguma sugestão, pergunte algo como o que eu poderia ter feito diferente na entrega da semana passada? A pergunta aponta para uma tarefa.

Fontes

  1. Torres, R. B. M.; Gusso, H. L., 2018. Efeito de três tipos de conteúdos de feedback no desempenho em tarefa. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  2. Kluger, A. N.; DeNisi, A., 1996. The effects of feedback interventions on performance: A historical review, a meta-analysis, and a preliminary feedback intervention theory. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  3. Louro, E. S.; Gabardo-Martins, L. M. D., 2024. Psychometric Properties of the Brazilian Short Scale of Perceived Feedback at Work. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  4. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil comportamental: o que é, para que serve e como descobrir o seu. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  5. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Dominância (D) do DISC. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  6. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Influência (I) do DISC. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  7. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Estabilidade (S) do DISC. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  8. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Conformidade (C) do DISC. Consultado em 4 de outubro de 2026.
  9. Walker, A. G.; Smither, J. W., 1999. A five-year study of upward feedback: What managers do with their results matters. Consultado em 15 de outubro de 2026.

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