Eneagrama

Comportamento organizacional: o que é, os níveis que ele estuda e o que o Eneagrama acrescenta sobre a motivação

Comportamento organizacional: o que é, os níveis indivíduo, grupo e organização, o que cada um estuda e onde o Eneagrama entra na motivação.

Comportamento organizacional: o que é, os níveis que ele estuda e o que o Eneagrama acrescenta sobre a motivação

Comportamento organizacional é o campo de estudo que olha para o que as pessoas e os grupos fazem dentro das organizações e para o comportamento das próprias organizações. Ele costuma ser dividido em três níveis: indivíduo, grupo e organização. O Eneagrama entra no primeiro deles e trata da motivação de cada pessoa.

O que é comportamento organizacional?

É uma área de pesquisa que trata as empresas e o que acontece nelas como objeto de estudo. O campo foi concebido na década de sessenta por pesquisadores britânicos, como disciplina emergente e quase independente, apoiada em Psicologia, Sociologia e Economia1. A proposta era que as atividades das organizações fossem estudadas por si mesmas, e não tratadas só como um lugar onde aplicar o que outras ciências já sabiam1.

Mirlene Maria Matias Siqueira, num artigo de 2002 na revista Estudos de Psicologia, reúne definições do campo1. Para Staw, é um campo multidisciplinar que examina o comportamento de indivíduos dentro de ambientes organizacionais e também a estrutura e o comportamento das próprias organizações1. Para Robbins, é a área que investiga a influência que indivíduos, grupos e estrutura exercem sobre o comportamento dentro das organizações1.

Wagner III e Hollenbeck acrescentam a finalidade: prever, explicar, compreender e modificar o comportamento humano no ambiente da empresa1. A própria autora registra que ainda persistem divergências quanto ao conceito1. Desde 1979, a Annual Review of Psychology publica revisões periódicas sobre os temas do campo, em intervalos médios de dois anos1.

Os temas vieram de várias disciplinas. Satisfação no trabalho e comprometimento chegaram da Psicologia Industrial e Organizacional; cultura e poder, da Sociologia; conflitos e política, da Ciência Política1.

A personalidade é um desses temas, e é por ela que o Eneagrama encosta no assunto. O modelo descreve os 9 perfis do Eneagrama, cada um com uma motivação central própria2, e não com uma lista de comportamentos.

Os níveis do comportamento organizacional: indivíduo, grupo e organização

Na proposta mais recente que Siqueira descreve, são três: o micro, que estuda o indivíduo; o meso, que estuda os grupos e as equipes; e o macro, que estuda a organização como um todo. A conta nem sempre foi essa. Payne e Pugh, dois estudiosos ingleses, propuseram em 1971 quatro níveis: indivíduos, equipes ou pequenos grupos, departamentos ou setores, e a organização inteira1.

Depois, Staw reduziu o campo a duas grandes áreas, o macro e o micro comportamento organizacional1. A divisão em três, micro, meso e macro, aparece no fim da década de noventa1. Cada nível tem a sua ênfase:

  • Micro. Tem forte contribuição da Psicologia e olha para os aspectos psicossociais do indivíduo e para a atuação dele na organização1.
  • Meso. Trata dos processos de grupos e de equipes de trabalho1.
  • Macro. Busca entender a organização como um todo, com contribuições da Antropologia, da Ciência Política e da Sociologia1.

Numa empresa, o contexto de que se fala pode ser a equipe de trabalho, o departamento ou setor, ou a instituição inteira3. Vale dizer de qual se trata antes de qualquer análise.

Três níveis do comportamento organizacional encaixados, com os temas de cada um e os resultados
Os três níveis do comportamento organizacional, os temas de cada um no modelo de Robbins e os resultados que nascem dos três juntos.

O que o comportamento organizacional estuda em cada nível?

Cada nível tem a sua lista de temas, e os resultados que a empresa acompanha saem dos três juntos. O modelo de Robbins, descrito por Siqueira, ajuda a ver a divisão. No indivíduo entram variáveis biográficas, de personalidade, valores, atitudes e habilidades1. Elas pesam na percepção, na motivação e na aprendizagem, que por sua vez afetam a decisão de cada pessoa1.

No grupo, o modelo junta a decisão em grupo, a comunicação, a liderança, o conflito, o poder, a política e a estrutura das equipes1. Na organização entram a cultura, as políticas e práticas de recursos humanos, a estrutura e a tecnologia1.

Os resultados que o modelo aponta são quatro: produtividade, absenteísmo, rotatividade e satisfação1. Para o autor, eles são produto da interdependência entre todas as variáveis dos três níveis1. Uma taxa de faltas alta, portanto, pode ter origem em qualquer um deles.

A pesquisa brasileira recente segue parte dessa lista. Vieira, Anjos e Silva analisaram artigos publicados entre 2009 e 2014 em periódicos brasileiros avaliados pela CAPES4. Foram 302 artigos, 132 de Administração e 130 de Psicologia4, com predominância de estudos sobre comprometimento, estresse e satisfação4. O que prende cada pessoa ao trabalho está no post sobre comprometimento.

Onde o Eneagrama entra no comportamento organizacional?

No nível do indivíduo, na caixa da personalidade, que no modelo do campo pesa na motivação, na percepção e na decisão de cada pessoa11. Ele não mede comunicação de equipe nem estrutura de empresa.

O que a empresa enxerga é o resultado: a entrega no prazo, a falta, o pedido de demissão. O Tipo Principal pode ajudar a dar nome ao motivo que pesa, na pessoa, por trás de parte desse resultado. De um perfil para outro, o que muda é o motivo, e não o valor da pessoa para o time.

Faça o teste de Eneagrama

O teste abaixo mostra o seu Tipo Principal, o ponto de partida no nível do indivíduo. São 22 perguntas, e responder leva cerca de 5 minutos5.

Por que o nível do indivíduo explica só parte do que acontece na equipe?

Porque quem trabalha junto recebe influências parecidas, e elas também pesam no comportamento. Katia Puente-Palacios e Jacob Laros, num artigo de 2009 sobre análise multinível, partem dessa ideia: pessoas de um mesmo grupo estão submetidas a estímulos semelhantes3. Para entender o comportamento delas, investigar as características pessoais é tão importante quanto investigar as do contexto3.

Os autores dizem que esse tipo de análise obriga a olhar o mesmo fenômeno de um ponto de vista micro e de um ponto de vista macro3.

Reuniões que terminam sem decisão ou prazos que estouram com todo mundo apontam primeiro para o que a equipe compartilha: a liderança, o processo, a meta. A diferença entre o padrão da equipe inteira e o de uma pessoa só aparece também no post sobre cultura organizacional.

A composição do time fica no meio do caminho. A página do Eneagrama para empresas fala em times com perfis complementares6, e a mistura de perfis é um dado real do grupo. Ela soma com a liderança, com o processo e com a meta, sem tomar o lugar deles na explicação.

Como gestores e RH podem usar o comportamento organizacional com o Eneagrama

Partindo do resultado que preocupa e descendo pelos três níveis até achar onde ele nasce, com o Eneagrama usado só no nível da pessoa. Quatro passos ajudam:

  • Descreva o resultado. Escolha um dos quatro que o modelo aponta, produtividade, absenteísmo, rotatividade ou satisfação1, e diga em que equipe e desde quando ele mudou.
  • Procure nos três níveis. Use a lista de temas da imagem como roteiro. Pergunte o que mudou na organização, o que mudou no grupo e o que mudou nas pessoas, nessa ordem, antes de escolher uma explicação.
  • Meça cada coisa do jeito certo. Siqueira cita uma revisão de 1993 que critica o hábito de medir atributos da organização só pela percepção dos trabalhadores11. Para a autora, essa crítica vale quando a variável é da própria organização, e não quando é uma característica das pessoas1. Satisfação se pergunta a quem trabalha; horário de escala e regra de promoção se conferem no registro.
  • Use o Eneagrama no nível do indivíduo. O Tipo Principal pode ajudar cada pessoa a dizer o que a move, e a conversa sobre o resultado tende a ficar mais concreta. Os cuidados para aplicar o teste na equipe estão no post sobre o Eneagrama nas empresas.

Um exemplo numa central de atendimento

A coordenadora de uma central de atendimento nota que as faltas subiram no turno da tarde. A primeira hipótese da equipe de RH é falta de compromisso de algumas pessoas.

Antes de chamar alguém, ela passa pelos três níveis. Na organização, a escala da tarde mudou três meses antes. No grupo, a supervisora do turno foi trocada no mesmo mês. Nas pessoas, duas atendentes faltam bem mais que as outras.

O aumento do turno inteiro começa a fazer sentido pela escala e pela troca de supervisão, e o ajuste começa por aí. Com as duas atendentes, a conversa é individual. Uma delas já fez o teste e conta o que costuma pesar para ela no trabalho; a escala nova tirou justamente isso. A outra prefere não falar do resultado, e a conversa segue pelo trabalho.

Dois meses depois, a coordenadora olha de novo as faltas da tarde, separadas por pessoa. Se o turno voltou ao que era antes da escala nova e uma das atendentes continua faltando mais, a explicação dela não estava na escala nem na supervisão, e a próxima conversa com ela começa por aí.

Para empresas. Com o Eneagrama aplicado na equipe, cada pessoa leva para a conversa o que a move, e fica mais fácil separar o que é dela do que é do turno.
Ver como funciona para empresas

Fontes

  1. Mirlene Maria Matias Siqueira, 2002. Medidas do comportamento organizacional (Estudos de Psicologia, Natal). Consultado em 28 de outubro de 2026.
  2. O que é o Eneagrama. Consultado em 28 de outubro de 2026.
  3. Katia Elizabeth Puente-Palacios; Jacob Arie Laros, 2009. Análise multinível: contribuições para estudos sobre efeito do contexto social no comportamento individual (Estudos de Psicologia, Campinas). Consultado em 28 de outubro de 2026.
  4. Jeanine Ângela Vieira; Alex Costa Anjos; Lígia Carolina Oliveira Silva, 2016. Comportamento organizacional: diferenças na produção empírica entre Psicologia e Administração (Revista Pensamento Contemporâneo em Administração). Consultado em 28 de outubro de 2026.
  5. Teste de Eneagrama. Descubra seu Tipo. Consultado em 28 de outubro de 2026.
  6. Eneagrama para empresas. Consultado em 28 de outubro de 2026.

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