O trabalho remoto é o trabalho feito fora do local onde normalmente se espera que ele aconteça: em casa, na casa de outra pessoa, num café ou num espaço de coworking1. A tarefa costuma continuar a mesma; muda a distância do time e de quem lidera. O perfil DISC mostra como cada pessoa tende a lidar com essa distância: autonomia, mensagem escrita, isolamento e hora de parar.
O que é trabalho remoto?
É o trabalho feito num local alternativo ao de sempre. O IBGE define o trabalho remoto como aquele executado fora do local onde normalmente se espera que sejam realizadas as atividades daquela ocupação1. Para quem é empregado, os exemplos de local alternativo são o próprio domicílio, outro domicílio, cafés e espaços de coworking que não estejam sob controle do empregador ou do cliente1.
O IBGE mediu o teletrabalho num módulo da PNAD Contínua aplicado no 4º trimestre de 20222. Naquele período, 7,7 de cada cem pessoas ocupadas fizeram teletrabalho, contando quem tinha 14 anos ou mais e deixando de fora as afastadas do trabalho2. O próprio instituto avisa que essas estatísticas são experimentais, ainda em fase de teste e avaliação2. Mais de dois terços dos teletrabalhadores tinham nível superior completo2.
O número de ocupações que poderiam ser feitas à distância é bem maior. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Os Condicionantes do Teletrabalho Potencial no Brasil3, estima em cerca de 20,5 milhões as pessoas em ocupações com potencial de serem realizadas de forma remota, 22,6% do total de ocupados3.
Qual a diferença entre trabalho remoto, teletrabalho, home office e híbrido?
Pelas categorias do IBGE, trabalho remoto é o nome mais amplo, e os outros cabem dentro dele. O teletrabalho é um tipo de trabalho remoto que usa dispositivos eletrônicos pessoais1, como computador, tablet ou telefone1. Dois exemplos nossos: quem é empregado e atende clientes por vídeo de casa faz teletrabalho; quem é empregada de uma confecção e costura as peças em casa, sem equipamento de tecnologia, faz trabalho remoto sem ser teletrabalho.
Trabalhar em casa nem sempre conta como remoto. Para o empregador ou o trabalhador por conta própria que tem a própria casa como única instalação do negócio, trabalhar em casa não é considerado trabalho remoto1. Nesse caso, a casa já é o local de sempre, como para quem tem um ateliê no quarto e nunca teve outro endereço.
Os documentos do IBGE sobre a pesquisa não usam a expressão home office. A categoria mais próxima é o teletrabalho no domicílio: a pessoa trabalha em casa, que é necessariamente um local alternativo, e usa equipamento de tecnologia2. Na nossa leitura, é o que o dia a dia chama de home office.
Híbrido também não é categoria da pesquisa, mas a pesquisa mede a frequência do teletrabalho em três faixas:
- Normalmente. Na maior parte dos dias da semana2.
- Regularmente. Não na maior parte dos dias, mas pelo menos uma vez por semana2.
- Ocasionalmente. Sem regularidade semanal, pelo menos uma vez em 30 dias2.
Na nossa leitura, a faixa do meio é a que mais se parece com o que as empresas chamam de trabalho híbrido: alguns dias fora, outros no local de sempre.

Como se organizar no trabalho remoto
Separando o tempo e o lugar do trabalho do resto da casa, que é onde o remoto costuma escorregar. Num ensaio publicado em 2024 na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, Bridi, Tropia e Vazquez apontam a maior dificuldade de separar o tempo de trabalho do tempo de não trabalho, e o espaço de um do espaço do outro4.
A flexibilidade, por outro lado, é o que mais agrada. Num estudo com teletrabalhadores do Serpro e da Receita Federal, Filardi, Castro e Zanini encontraram entre 80 e 95% de concordância com vantagens como flexibilidade de horário, menos deslocamento e menos interrupções5. Três decisões ajudam a manter a vantagem sem perder o limite:
- Um lugar que é só do trabalho. Mesmo que seja um canto da mesa, o computador fica ali e sai dali no fim do dia.
- Hora de começar e de parar à vista do time. Quem sabe que você para às seis não espera resposta às oito.
- Pausa longe da tela. O almoço fora do computador marca o meio do dia como a saída do prédio marcava o fim.
Técnicas para montar a lista do dia, com a pesquisa por trás de cada uma, estão no post sobre gestão de tempo.
Sem ninguém por perto, cada fator do DISC tende a deixar escorregar uma parte diferente do dia. A lista é uma leitura nossa das páginas dos fatores:
- Dominância (D). Quem tem D alto costuma perder o interesse em tarefa repetitiva6. Em casa, sem ninguém cobrando, essa tarefa tende a ficar para sexta à tarde.
- Influência (I). A página do fator diz que esse perfil dispersa com facilidade em tarefa longa e solitária7, que é boa parte do dia remoto. Os dois lados de cada fator estão no post sobre pontos fortes e fracos.
- Estabilidade (S). Quem tem S alto prefere combinar antes a improvisar depois8. Um dia sem nada combinado tende a pesar mais para essa pessoa do que a quantidade de trabalho. Os sinais desse fator no dia a dia estão no post sobre os perfis DISC.
- Conformidade (C). Esse fator evita improviso e decisão sem critério9. Sem o colega ao lado para tirar a dúvida, a tarefa pode parar esperando resposta; vale combinar a quem perguntar e quanto tempo esperar.
Como o perfil DISC aparece na mensagem escrita e na chamada de vídeo?
Aparece no que cada pessoa faz quando a pergunta deixa de ser respondida na hora. Os gestores ouvidos por Filardi e colegas puseram a falta de comunicação imediata entre as desvantagens do teletrabalho5. Um deles resumiu assim: a pessoa pode não estar imediatamente disponível5.
Cada fator tende a lidar com essa espera de um jeito:
- Dominância (D). Quem tem D alto processa melhor quando ouve o pedido antes do contexto6. Como escrever para essa pessoa, e o risco do tom quando quem escreve é ela, está no post sobre comunicação assertiva.
- Influência (I). Prefere resolver por telefone a resolver por e-mail7, e uma reunião curta rende mais que três e-mails7. No remoto, a ligação de dez minutos tende a destravar o que a troca de mensagens arrastou o dia inteiro. O que ficou acertado nela precisa chegar a quem não estava, como mostra o post sobre trabalho em equipe.
- Estabilidade (S). A página do fator resume: avise antes e explique por quê8. Mudança anunciada numa mensagem curta, sem motivo e para o dia seguinte, pesa mais à distância, porque não há corredor para perguntar depois. O porquê desse cuidado está no post sobre os perfis DISC.
- Conformidade (C). Prefere responder por escrito, com precisão9, e o trabalho por mensagem tende a ser confortável para esse fator. Na chamada de vídeo, mandar a pauta antes e aceitar a resposta por escrito depois costuma render mais do que pedir posição na hora.
Faça o teste DISC
O fator que vem na frente no seu resultado mostra em qual dessas situações a distância tende a custar mais. O teste leva cerca de 5 minutos e devolve os quatro fatores, não só o mais alto6.
Como o isolamento aparece no trabalho remoto?
Aparece como distância do time, e tende a pesar de um jeito diferente para cada pessoa. Entre as desvantagens apontadas pelos gestores no estudo de Filardi e colegas estão o isolamento social e a perda de vínculo com a empresa5. A partir dos relatos, os autores indicam que os mecanismos de comunicação e envolvimento de quem trabalha à distância devem ser intensificados5.
No DISC, dois fatores pedem atenção especial:
- Influência (I). A página do fator diz que esse perfil se desmotiva em ambiente silencioso e isolado7, que é como uma casa pode ficar num dia de tarefas solitárias. Como esse fator reage quando a energia cai está no post sobre inteligência emocional.
- Estabilidade (S). Quem tem S alto raramente reclama em público, e a insatisfação costuma ficar visível só no pedido de demissão8. À distância, sem o café e o corredor, os sinais do meio do caminho tendem a sumir, e o aviso pode chegar já como decisão.
Para quem tem D ou C alto, as páginas dos fatores não trazem o isolamento como ponto de atenção. Isso não quer dizer que ele não pese: vale perguntar a cada pessoa, em vez de supor pelo perfil.
O que ajuda, para qualquer fator, é um contato que não depende de haver problema. Dez minutos de vídeo para falar da semana, e não só do prazo, fazem o papel que o café do escritório fazia sem ninguém marcar.
Como manter o limite de horário em casa?
Combinando a hora de parar e deixando escrito o que fica para o dia seguinte. Bridi e colegas apontam a falta de limites entre os horários de trabalho e lazer, e as constantes interrupções da família, como fontes potenciais de conflito4.
Os números do IBGE trazem um detalhe: as médias de horas habitualmente trabalhadas por semana por quem fez teletrabalho ficaram bem próximas das de quem não fez2. Na nossa leitura, o problema tende a estar menos em quantas horas o trabalho soma e mais em onde elas caem: a mensagem das nove da noite, a revisão no domingo.
Três fatores costumam empurrar o trabalho para essas horas. Quem tem I alto promete prazo pelo entusiasmo7, e quem tem S alto aceita demanda demais8, dois riscos que o post sobre comunicação assertiva trata na hora de dizer não. Em casa, o que não coube no expediente cabe depois do jantar, e ninguém vê. Quem tem C alto cobra de si mais do que cobram dele9, e sem ninguém por perto dizendo que já está bom, a revisão pode seguir até tarde.
O que o líder combina com cada pessoa no trabalho remoto?
O jeito de trabalhar à distância, pessoa por pessoa, além da meta. No estudo de Filardi e colegas, 71,4% dos gestores disseram que os teletrabalhadores são gerenciados por metas5, e 17,9% disseram ter dificuldade de controlar e supervisionar esse trabalho5.
Do outro lado, parte dos teletrabalhadores relatou receio de má avaliação (14,3%), falta de reconhecimento dos colegas (12,3%) e cobrança de resultado maior que a dos presenciais (26,6%)5. Os autores recomendam buscar a isonomia no reconhecimento e na avaliação de quem trabalha à distância5.
Três combinados por pessoa evitam boa parte do ruído:
- O canal da urgência. O que é urgente chega por ligação, e o resto espera a mensagem.
- O prazo de resposta. Quanto tempo uma mensagem pode ficar sem resposta sem que ninguém se preocupe.
- O aviso de que travou. Como e quando a pessoa diz que está parada, antes de o prazo chegar.
O resultado DISC de cada pessoa ajuda a escolher por onde começar. Quem tem S alto fica invisível em ambiente onde só quem fala alto aparece8, um risco que o post sobre os dois lados de cada fator também mostra. No remoto, quem aparece é quem escreve mais no grupo, e a avaliação corre o risco de seguir o volume de mensagens, e não a entrega.
O perfil não decide quem pode trabalhar à distância, quem é contratado para uma vaga remota nem quem volta ao escritório. Nenhum dos quatro fatores serve mais para o remoto: cada um tende a precisar de um combinado diferente. A página do site para empresas fala em comunicação clara e adaptada para cada perfil10. As rotinas de reunião e de acompanhamento do time estão no post sobre gestão de equipes.
Para empresas. Quem lidera um time à distância pode usar o resultado DISC de cada pessoa para ajustar o canal, o prazo de resposta e o aviso de mudança ao jeito de cada uma.
Ver como funciona para empresas
Fontes
- IBGE, 2023. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, Nota técnica 02/2023: Sobre os módulos Teletrabalho e Trabalho por meio de plataformas digitais 2022. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- IBGE, 2023. Teletrabalho e trabalho por meio de plataformas digitais (PNAD Contínua 2022, apresentação de 25 de outubro de 2023). Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 2023. 20,5 milhões de trabalhadores estão em ocupações com potencial de trabalho remoto no Brasil. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Bridi, M. A.; Tropia, P. V.; Vazquez, B. V., 2024. Teletrabalho e saúde no contexto da pandemia de COVID-19. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Filardi, F.; Castro, R. M. P. de; Zanini, M. T. F., 2020. Vantagens e desvantagens do teletrabalho na administração pública: análise das experiências do Serpro e da Receita Federal. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Dominante (D) do DISC. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Influente (I) do DISC. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Estável (S) do DISC. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Analítico (C) do DISC. Consultado em 28 de outubro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Teste DISC para empresas: avaliação comportamental de equipes. Consultado em 28 de outubro de 2026.