Eneagrama

Comunicação interpessoal: o que é e como o Eneagrama ajuda a entender o jeito de cada um falar e ouvir

Comunicação interpessoal: o que é, por que a mesma frase chega de dois jeitos, por que quem fala se acha claro e o papel do Eneagrama nisso.

Comunicação interpessoal: o que é e como o Eneagrama ajuda a entender o jeito de cada um falar e ouvir

Comunicação interpessoal é a troca de mensagens entre pessoas, numa conversa, num telefonema ou por escrito, em que quem fala também ouve. Toda mensagem leva o que foi dito e um recado sobre como ela deve ser entendida, e quem fala tende a se achar mais claro do que foi. O Tipo Principal do Eneagrama ajuda a ver a parte que você deixa sem dizer.

O que é comunicação interpessoal?

É a troca de mensagens ou informações entre pessoas, o que inclui dialogar, trocar ideias e conversar1. A definição está numa dissertação de mestrado de Rossi, apresentada na PUC-Rio em 2004, que parte do livro de McCroskey, Larson e Knapp, de 1971, sobre comunicação interpessoal1.

Para esses autores, quatro elementos precisam existir para a comunicação acontecer1:

  • Quem fala ou escreve, que a dissertação chama de fonte ou emissor1.
  • A mensagem em si1.
  • O canal por onde a mensagem é enviada1.
  • Quem recebe, o receptor ou destinatário1.

Os papéis trocam o tempo todo: no modelo, todo emissor é um receptor em potencial, e vice-versa1. Quem acabou de explicar uma tarefa passa a ouvir a dúvida sobre ela. Falar e ouvir são as duas pontas do jeito de se comunicar de uma mesma pessoa, e o Tipo Principal descreve essa pessoa.

A troca também pode ser síncrona ou assíncrona1. Na assíncrona, existe um tempo maior entre a emissão e a recepção da mensagem1. É o caso do e-mail e da mensagem no grupo da equipe, em que quem lê nem sempre tem a quem perguntar na hora.

É impossível não comunicar

Num artigo de 2024, Silva, Oliveira e Costa retomam o livro Pragmática da comunicação humana, publicado em 1967 por Watzlawick, Beavin e Jackson2. Segundo o artigo, uma das contribuições mais significativas desses trabalhos foram os cinco axiomas da comunicação2.

O primeiro diz que é impossível não se comunicar2. Gestos, expressões, entonação, postura e até o silêncio ou a ausência de alguém também compõem a mensagem2. No trabalho, a resposta que não vem no grupo é lida por alguém, e nem sempre do jeito que quem ficou calado imaginava.

Na mesma linha de estudos, o receptor passou a ter tanta importância quanto o emissor da mensagem2.

Por que a mesma frase pode ser entendida de dois jeitos?

Porque toda mensagem traz duas coisas: o que se diz e como aquilo deve ser entendido. No segundo axioma, a primeira parte se chama relato, o conteúdo literal da mensagem2. A segunda se chama ordem: trata da relação entre quem se comunica e da forma como a mensagem é passada, e é ela que classifica o significado do conteúdo2.

Um pedido para olhar o relatório quando der tem um relato simples. A ordem é que decide se aquilo é um favor sem prazo ou um pedido da chefia para hoje, e ela vem do tom, do cargo de quem escreveu e da história entre os dois. Quem escreveu sabe qual das duas quis dizer. Quem lê precisa deduzir.

O quarto axioma ajuda a entender a divisão entre comunicação verbal e não verbal. A comunicação digital é a que depende do sentido das palavras, faladas ou escritas2. Sozinha, ela fica vulnerável à ambiguidade e à imprecisão das palavras2. A analógica reúne o tom de voz, a expressão corporal, o contexto e toda manifestação não verbal2. Numa mensagem escrita, quase toda a parte analógica fica de fora.

A ordem também pode carregar o que importa a quem fala, como a pressa ou o receio de soar duro.

Comunicação e relacionamento andam juntos, mas tratam de coisas diferentes: a comunicação é a troca de mensagens, e o relacionamento é a rede de relações que se forma entre as pessoas, assunto do post sobre relacionamento interpessoal no trabalho.

Por que quem fala acha que foi entendido?

Porque quem fala conhece a própria intenção e lê a frase já com ela. Num estudo de 2002, Keysar e Henly pediram a participantes que dissessem frases ambíguas tentando passar um sentido específico a outra pessoa3. Ao estimar se tinham sido entendidos, os falantes esperavam acertar mais vezes do que de fato acertaram3.

Quem ouvia de fora, sabendo o que o falante queria dizer, não superestimou o acerto de forma sistemática3. O desvio estava no lugar de quem fala. Os autores concluem que os falantes subestimam a ambiguidade das próprias frases e superestimam o quanto as pistas que dão deixam a intenção clara3. Para eles, isso pode ser uma fonte sistemática de mal-entendidos na conversa do dia a dia3.

Do outro lado da conversa, o post sobre escuta ativa mostra que quem ouve também não sabe dizer, sozinho, se ouviu bem.

O e-mail parece mais claro para quem escreve

Sem gesto, ênfase e entonação, pode ser difícil passar emoção e tom por e-mail4. Num artigo de 2005, Kruger e colegas relatam cinco experimentos que sugerem que essa limitação costuma ser subestimada: as pessoas tendem a achar que se comunicam por e-mail melhor do que de fato se comunicam4.

Os estudos 4 e 5 ligam esse excesso de confiança ao egocentrismo, a dificuldade de sair da própria perspectiva para avaliar a de outra pessoa4. Quem escreve um e-mail “ouve” a frase de um jeito ou de outro conforme a intenção, irônica ou engraçada, e pode ter dificuldade de perceber que quem lê talvez não ouça assim4.

O mesmo ponto de partida aparece quando alguém tenta adivinhar o que um colega sente, como mostra o post sobre empatia no trabalho.

Qual o papel do Eneagrama na comunicação interpessoal?

Ele entra, antes de tudo, pelo lado de quem fala. A intenção que deixa a sua frase clara para você, e a parte que você não chega a dizer, tendem a acompanhar o que importa para você, e o Tipo Principal dá nome a isso. Entre os benefícios de conhecer o próprio tipo, o site do Eneagrama lista uma comunicação mais limpa5.

Na prática, o resultado ajuda a reconhecer um padrão nas mensagens que dão errado. Quem passa a reparar pode notar que a parte que falta tende a se repetir: o prazo, o motivo do pedido, o tamanho do problema, o elogio que ficou só na cabeça. Lida ao lado da descrição do Tipo Principal, essa falta pode começar a fazer sentido.

O lado de quem ouve segue a mesma lógica, e o post sobre escuta ativa mostra como a atenção de quem ouve vai para o que importa a ele. O que o colega faz com a mesma mensagem pode variar com o perfil dele, e o post sobre os 9 perfis do Eneagrama traz exemplos disso numa equipe. O tipo do colega, porém, sai do teste dele, e não de um palpite seu, como explica o post sobre o que é o Eneagrama.

Para empresas. Num time em que cada pessoa conhece o próprio Tipo Principal, dá para combinar o que todo pedido por escrito precisa levar, como o prazo e quem decide. O site do Eneagrama propõe aplicar o modelo com a equipe para melhorar a comunicação e entender como cada tipo contribui para o grupo5.
Ver como funciona para empresas

Faça o teste de Eneagrama

O teste abaixo mostra o seu Tipo Principal, e a descrição dele é o que você vai consultar quando uma mensagem der errado. São 22 perguntas, e o teste leva cerca de 5 minutos5.

Como melhorar a comunicação interpessoal na equipe

Começando pelo lado de quem fala, que é o que está nas suas mãos. Cinco passos ajudam:

  • Diga a ordem com palavras. Pedido ou sugestão, para quando, o que acontece se atrasar. É a parte que diz como o conteúdo deve ser entendido2, e a que quem lê mais precisa adivinhar quando ela não vem escrita.
  • Escolha o canal pelo tom. Por e-mail, sem entonação nem gesto, pode ser difícil passar o tom4. Crítica, ironia e assunto delicado vão melhor por voz; se tiver de escrever, escreva também o tom, como “sem pressa” ou “é só uma dúvida”.
  • Mostre a mensagem importante a alguém. No estudo de Keysar e Henly, quem conhecia a intenção sem ser o falante não superestimou o acerto de forma sistemática3. Um colega que sabe o que você quer dizer pode apontar o que a frase ainda não diz.
  • Conte com o silêncio. Silêncio e ausência também compõem a mensagem2. Se não vai responder agora, diga quando vai.
  • Guarde as mensagens que deram errado. Anote, em cada uma, o que ficou sem dizer. Quando a mesma falta aparecer pela segunda ou terceira vez, é ela que vale procurar na descrição do seu Tipo Principal.

Um exemplo numa obra

Às cinco da tarde, a engenheira de uma obra pequena pede no grupo que o mestre de obras dê uma olhada no reboco da parede do segundo andar “quando der”. Na cabeça dela, a mensagem dizia tudo: a vistoria do cliente seria às oito da manhã seguinte, e a parede precisava estar pronta.

Ele leu o mesmo relato com outra ordem. Para ele, “quando der” queria dizer depois da concretagem da semana. Às oito, a parede estava como antes, e a primeira reação dela foi achar que ele tinha ignorado o pedido.

Relendo a mensagem, ela viu que o prazo e o motivo nunca tinham saído da cabeça dela. Na descrição do próprio Tipo Principal, reconheceu o motivo de ter amaciado o pedido com o “quando der”.

Ela remarcou a vistoria para o meio da tarde e ligou para ele em vez de escrever. Disse o que era, para quando e por quê. Desde então, pedido com prazo no grupo leva o prazo escrito.

Fontes

  1. Rossi, T. J. N., 2004. Novas formas de defesa na Era dos Excessos (dissertação de mestrado, PUC-Rio), capítulo 2: A Comunicação Interpessoal. Consultado em 20 de outubro de 2026.
  2. Silva, M. H. A.; Oliveira, M. L. P.; Costa, A. A., 2024. Comunicação não violenta e os axiomas da comunicação: intersecções teóricas (Cambiassu, v. 19, n. 34). Consultado em 20 de outubro de 2026.
  3. Keysar, B.; Henly, A. S., 2002. Speakers’ overestimation of their effectiveness. Consultado em 20 de outubro de 2026.
  4. Kruger, J.; Epley, N.; Parker, J.; Ng, Z.-W., 2005. Egocentrism over e-mail: can we communicate as well as we think?. Consultado em 20 de outubro de 2026.
  5. Teste sua Personalidade, 2026. Teste de Eneagrama. Descubra seu Tipo. Consultado em 20 de outubro de 2026.

Para continuar

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado.