O foco no trabalho é a atenção convergindo para uma tarefa1,2, por tempo suficiente, na nossa leitura, para você terminar um trecho dela. O que o tira, nas fontes abaixo, são interrupções e atenção dividida; o que ajuda é reservar blocos de tempo, fazer uma coisa de cada vez e combinar quando responder. O perfil DISC mostra o que costuma puxar a atenção de cada pessoa.
O que é foco no trabalho?
Na nossa leitura, é a atenção ficar numa tarefa por tempo suficiente para você concluir uma parte dela. No Michaelis, foco, em sentido figurado, é o “ponto para o qual converge alguma coisa”1. Concentração é a “fixação intensa da atenção em determinado assunto”2, e atenção, a “concentração da atividade mental em determinada pessoa ou coisa”3.
No trabalho, é fechar o relatório de custos sem se levantar três vezes no meio, ou terminar a resposta ao cliente sem abrir outra janela. Na nossa leitura, foco não é traço de quem “tem” ou “não tem”: muda de uma tarefa para outra, e a mesma pessoa tende a se concentrar mais num trabalho do que em outro.
O DISC entra porque as pessoas costumam perder a atenção por caminhos diferentes. Na nossa leitura, nenhum dos quatro fatores tem mais foco que os outros, do mesmo jeito que nenhum perfil é melhor para a vaga4.
O que tira o foco no trabalho?
A interrupção e a distração, que são coisas diferentes. Interrupção, no Michaelis, é “aquilo que faz parar uma ação ou um estado”5, e distração, o “estado em que a atenção está dividida entre vários assuntos ou ações”6. Num artigo de 2017 no SciELO, Renata Longhi Sassaki e Márcia Galan Perroca descrevem as interrupções como “invasões inesperadas”7. Na distração, a pessoa percebe a interferência, mas não a atende, e não há pausa7.
A pesquisa foi um questionário respondido por 133 enfermeiros de um hospital de ensino do interior de São Paulo7. Entre eles, 55 (42%) disseram ser interrompidos mais de 13 vezes durante o trabalho7, e 87% apontaram o toque do telefone como causa7. Para 34 (26%), voltar à atividade anterior levou de cinco a seis minutos7. O texto lembra que, segundo a literatura da área, as interrupções influenciam negativamente na capacidade de se concentrar7.
Os números são de hospital e vêm do que os próprios enfermeiros relataram. A mecânica, porém, vale para um escritório: alguém chama, a tarefa para, e é preciso lembrar onde se estava. Na nossa leitura, o telefone do hospital é a mensagem no grupo do time, o colega na porta, o pedido de última hora.
Nem precisa atender. O Sebrae do Rio Grande do Norte avisa que “até mesmo uma rápida olhada em uma notificação pode quebrar a concentração e prejudicar o fluxo de atividades”8.
Fazer duas tarefas juntas ajuda a render mais?
A revisão que usamos aponta que costuma custar mais do que parece. Cyntia Bailer e Lêda Maria Braga Tomitch, da UFSC, publicaram em 2016 na revista Alfa uma revisão de estudos sobre multitarefa, que o artigo define de forma simples como lidar, ao mesmo tempo, com mais de uma tarefa9.
A revisão lembra que, segundo a literatura da área cognitiva, a capacidade de processar informação é limitada9 e que dividir a atenção entre tarefas diferentes leva a uma diminuição no desempenho9.
Um dos experimentos descritos pôs estudantes universitários para ler um trecho de livro enquanto respondiam a mensagens instantâneas. Eles levaram significativamente mais tempo para ler o trecho9, e a compreensão no teste não teve diferença significativa9. A revisão destaca que quem troca mensagens enquanto estuda pode pensar que está fazendo mais, mas leva mais tempo para chegar ao mesmo nível9.
A ressalva é que o estudo é com estudantes lendo. Na nossa leitura, o equivalente no trabalho é responder o e-mail durante a reunião: parece ganhar minutos, e tende a cobrá-los de volta no próprio e-mail ou na reunião.
O que ajuda a manter o foco?
Três decisões pequenas, que não dependem de aplicativo: blocos de tempo para o que pede atenção, uma tarefa de cada vez dentro do bloco e janelas combinadas para responder.
Reserve blocos para o que pede atenção
O Sebrae-RN lembra que muitas pessoas rendem mais pela manhã e outras só à noite, e recomenda dedicar esse período às atividades que exigem mais concentração e foco8. Um bloco é esse período com começo e fim marcados: das nove e quinze às onze, o relatório de custos.
A mesma fonte descreve blocos de 25 minutos seguidos de pausas de 58. O tamanho é decisão sua; o que conta é o bloco ter um fim combinado.
Faça uma tarefa de cada vez dentro do bloco
Durante o bloco, a recomendação do Sebrae-RN é focar exclusivamente na tarefa, sem interrupções ou distrações8. Na prática, o relatório fica aberto e o resto fecha. Se surgir outra ideia ou outro pedido, anote numa linha e volte: atender na hora é dividir a atenção, e a revisão de Bailer e Tomitch descreve queda de desempenho nesse caso9.
Combine janelas para responder
Janela de resposta é o horário em que você olha as mensagens: por exemplo, das dez e quinze às onze. Quem escreve passa a saber quando a resposta vem, e você deixa de olhar a tela a cada aviso. O que não pode esperar até a janela precisa de outro jeito de chegar até você, combinado antes.
O plano para o momento em que a interrupção chega, no formato quando isto acontecer, faço aquilo, está no post sobre gestão de tempo.
Uma manhã de exemplo
Uma analista de custos precisa entregar um relatório ao meio-dia. Das nove às dez e quinze, ela trabalha só nele, com as mensagens fechadas. Das dez e quinze às onze, responde o que chegou. Das onze ao meio-dia, volta ao relatório. Se o gestor a chamar às dez, ela atende: a diferença é que o aviso virou exceção.

O que costuma puxar a atenção de cada perfil DISC?
As páginas dos fatores trazem sinais que, na nossa leitura, apontam por onde a atenção de cada um costuma escapar, e o conselho que fecha cada item é nosso. Valem como hipótese, já que ninguém tem um fator só:
- Dominância (D). A página do fator diz que o D perde o interesse em tarefa repetitiva10 e toma a frente quando ninguém toma10, sinais que o post sobre os perfis DISC descreve. Na planilha de rotina, a atenção tende a ir para o problema que apareceu na mesa ao lado. Pode ajudar deixar a rotina num bloco curto, com a hora de terminar marcada, e decidir de antemão o que cabe pegar no meio do dia.
- Influência (I). A página diz que o I começa muitas frentes com energia alta e chega ao fim com energia baixa11. Com várias abertas, a atenção tende a ficar na que acabou de entrar. Costuma ajudar o bloco mais curto, uma frente aberta por vez e um horário combinado para voltar a conversar com o grupo.
- Estabilidade (S). A página diz que o S costuma ser a primeira pessoa a quem os colegas recorrem quando precisam desabafar12 e que aceita demanda demais e avisa tarde que não cabe12. Na nossa leitura, as interrupções chegam até quem tem S alto, e o bloco tende a ser cortado de fora. Pode ajudar dizer ao colega, antes, até que horas está em bloco, em vez de esperar que ele perceba.
- Conformidade (C). A página diz que o C segura a entrega para acertar o último detalhe13, e, na nossa leitura, a atenção tende a ficar no mesmo ponto enquanto o resto espera. Marcar a hora de parar de refinar e passar o que sobrou para o próximo bloco pode ajudar. A página diz que o C fica desconfortável com mudança de rota sem justificativa13, e o pedido que interrompe sem dizer o motivo tende a pesar mais do que o tamanho dele.
Faça o teste DISC
Antes de montar a sua manhã de blocos, vale ter uma hipótese de onde ela tende a falhar, para testar na semana. O teste leva cerca de 5 minutos e devolve os quatro fatores, não só o dominante10.
Como combinar o foco com quem tem outro perfil?
Cada pessoa diz como prefere ser chamada, e todos respeitam o horário que os outros combinaram. O combinado é sobre hora e jeito de chamar, nunca sobre rótulo.
Um exemplo nosso: duas pessoas dividem a mesma mesa, uma com I alto e outra com C alto. Quando a tarefa longa pesa, quem tem I alto tende a se dispersar quando está sozinho11, e um pedido sem motivo pode pesar para quem tem C alto (a página fala em desconforto com mudança de rota sem justificativa13).
O acordo pode ser curto: entre nove e dez e quinze eu não respondo; se for importante, escreva o motivo e eu respondo na janela. Do outro lado: às dez e quinze eu paro e vou falar com você.
O palpite sobre o fator de quem está ao lado tem limites, pelos motivos do post sobre os perfis DISC. Por isso o combinado nasce da pergunta feita à pessoa, e não do que você supõe sobre ela.
Como o gestor protege o foco do time?
Começando pelas interrupções que ele mesmo causa. Na pesquisa de Sassaki e Perroca, 66,4% dos enfermeiros apontaram as chamadas de outros profissionais para cooperar como causa de interrupção7. Num escritório, vale perguntar quantas dessas chamadas saem da mesa do gestor. Na nossa leitura, o pedido dele pesa mais que o de um colega, porque quase sempre é atendido na hora.
Três hábitos ajudam:
- Uma faixa do dia em que o time não é chamado, em vez de pedidos espalhados pela manhã inteira.
- Pedidos reunidos num só aviso, com o motivo na primeira frase.
- Reunião no começo ou no fim do período, sem cortar o meio dele.
Como conduzir a reunião em si está no post sobre gestão de equipes.
O resultado DISC de cada pessoa pode ajudar a escolher o jeito de avisar: quem tem C alto tende a querer o motivo13, e quem tem S alto, aviso com antecedência12. O perfil não escolhe quem faz o trabalho que pede concentração.
Para empresas. Antes de definir a faixa do dia sem chamadas, o gestor pode conversar com cada pessoa sobre o jeito de ser avisada. A distribuição dos fatores do time, que o painel mostra14, dá o ponto de partida; a faixa vale para todos, e o perfil não decide quem fica em bloco.
Ver como funciona para empresas
O que o DISC não diz sobre o foco de uma pessoa?
Ele descreve o jeito de agir e não mede a capacidade de atenção de ninguém. Na nossa leitura, o foco muda de um dia para o outro e de uma tarefa para outra. O resultado serve para preparar a conversa sobre horários e combinados, e quem confirma ou corrige a leitura é a própria pessoa.
Fontes
- Michaelis, 2026. Foco, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Michaelis, 2026. Concentração, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Michaelis, 2026. Atenção, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Teste DISC e carreira: como o seu perfil aparece no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Michaelis, 2026. Interrupção, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Michaelis, 2026. Distração, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Renata Longhi Sassaki; Márcia Galan Perroca, 2017. Interrupções e seus efeitos sobre a dinâmica de trabalho do enfermeiro (Revista Gaúcha de Enfermagem, v. 38, n. 2). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Sebrae-RN, 2023. Gestão de tempo: 7 dicas infalíveis para você (Blog do Sebrae-RN). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Cyntia Bailer; Lêda Maria Braga Tomitch, 2016. Estudos comportamentais e de neuroimagem sobre multitarefa: uma revisão de literatura (Alfa, v. 60, n. 2). Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Dominante (D) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Influente (I) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Estável (S) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Analítico (C) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
- Teste sua Personalidade, 2026. Teste DISC para empresas: avaliação comportamental de equipes. Consultado em 2 de novembro de 2026.