DISC

Endomarketing: o que é, para que serve e como o DISC ajuda a comunicar com o time

Endomarketing: o que é, a diferença para a comunicação interna, as ações mais comuns e como o DISC ajuda a escolher o canal e a forma de cada comunicado.

Endomarketing: o que é, para que serve e como o DISC ajuda a comunicar com o time

O endomarketing é, nas definições da literatura, o uso de instrumentos e conceitos do marketing voltados ao público interno da empresa, e a comunicação interna é um dos principais instrumentos dele, segundo os autores nacionais1. Na nossa leitura, o perfil DISC ajuda a escolher o canal e a forma de cada comunicado, porque a mesma mensagem tende a ser recebida de jeitos diferentes por cada pessoa do time.

O que é endomarketing?

É o marketing voltado ao público interno, ou seja, a quem trabalha na empresa. A American Marketing Association, citada por Polli num artigo do Caderno de Administração da PUC-SP, o define assim:

“marketing voltado aos funcionários de uma organização para garantir que eles adotem de forma efetiva os programas e políticas organizacionais desejados”2

Inkotte, citado por Almeida, Souza e Mello na Gestão & Produção, fala em “utilização de instrumentos e conceitos do marketing voltados para o público interno de uma organização”1. A Associação Brasileira de Marketing, também citada por Polli, vê o endomarketing como o “trabalho interno da empresa para aplicar uma visão de marketing a todas as rotinas da organização”2. O Michaelis remete a palavra a marketing interno3, e o prefixo grego endo quer dizer “ação ou movimento para dentro”, segundo Almeida, Souza e Mello, que citam Brum1.

Os autores ainda divergem sobre os termos marketing interno e endomarketing1. As definições dizem para quem e com que ferramenta, e deixam em aberto como a mensagem chega a cada pessoa. É aí que o DISC entra.

Qual a diferença entre endomarketing e comunicação interna?

A comunicação interna é um dos principais instrumentos do endomarketing: é o que Almeida, Souza e Mello apontam como convergência entre os autores nacionais1. Para Brum, sem uma informação bem trabalhada não existem funcionários motivados1.

Comunicado, na primeira acepção do substantivo no Michaelis, é “aviso ou informação, geralmente de caráter oficial, veiculado ao público pelos meios de comunicação”4. Na nossa leitura, avisar que o horário de entrada muda em 1º de dezembro é comunicação interna. Escolher o canal e a hora, dizer o motivo, ouvir como a notícia chegou e responder é o que o endomarketing acrescenta. Como os autores divergem1, essa linha é leitura nossa.

Para que serve o endomarketing?

Para que quem trabalha na empresa fique informado e satisfeito. Las Casas, citado por Polli, descreve o objetivo como “tratar os funcionários como clientes e dar-lhes toda a atenção possível, para que fiquem satisfeitos no local de trabalho”2.

Thornhill e colegas, citados por Almeida, Souza e Mello, encontraram uma relação significativa entre a forma como a organização se comunica com os funcionários e as atitudes e o comprometimento deles1.

Em junho de 2014, uma instituição pesquisou 2.100 colaboradores sobre a comunicação interna2. O índice foi de 69% em estar bem informado a respeito de si e do próprio trabalho2, de 43% na afirmação de que a empresa explica adequadamente os motivos das decisões2 e de 26% na de que as mudanças são comunicadas a todos2. O índice geral da categoria comunicação foi de 59%2, e o artigo conclui que a comunicação não estava chegando de forma eficiente a todos2.

É um caso, de uma instituição, em 20142: não vale como média das empresas. Na nossa leitura, ele mostra a informação rareando à medida que se afasta do trabalho da pessoa: ela sabe o que fazer, sabe menos por que a empresa decide e sabe menos ainda o que vai mudar.

Três barras horizontais que encurtam, uma para cada afirmação da pesquisa interna
Três resultados da pesquisa interna de uma instituição em 2014, descrita por Polli; a ordem, do mais perto ao mais longe do trabalho da pessoa, é leitura nossa.

Quais são as ações de endomarketing mais comuns?

As que Polli traz de Spiller e colegas são ferramentas do marketing aplicadas ao emprego. Eles apontam as pesquisas de opinião, a descrição de função, os benefícios, o plano de carreira e a capacitação2, além de comunicação por intranet, jornal interno, murais, promoções, premiações e festividades2. Na lista dos mesmos autores entram também os canais de comunicação interna, o reconhecimento e a recompensa2. Em tópicos:

  • Comunicação. Intranet, jornal interno, murais e promoções2.
  • Pesquisa de opinião. Perguntar à equipe o que ela pensa2.
  • Condições do emprego. Descrição de função, benefícios, plano de carreira e capacitação2.
  • Reconhecimento. Premiações e recompensas2.
  • Integração. Festividades2.

A lista não diz o que funciona. O que decide o resultado é como cada ação chega a cada pessoa.

Reconhecer em público ou em particular, por exemplo, não agrada a todos do mesmo jeito, e o post sobre os perfis DISC resume o que a Influência e a Estabilidade tendem a preferir. Na nossa leitura, uma premiação pode ter as duas coisas, o anúncio no mural e um agradecimento a dois, sem ninguém precisar adivinhar o fator de quem recebe. O reconhecimento no dia a dia do líder aparece no post sobre gestão de equipes.

Como o DISC ajuda a comunicar com o time?

Na nossa leitura, mostrando que o mesmo comunicado chega de jeitos diferentes, o que ajuda a escolher o canal e a forma.

O estudo de Almeida, Souza e Mello trata da comunicação interna para promover a qualidade, numa empresa de comunicação. Entre os fatores determinantes está a segmentação do público interno: os grupos que o compõem devem ser identificados por parâmetros definidos, o que orienta a linguagem e os veículos1. Um mesmo tema pode ser trabalhado com linguagens diferentes para cada segmento1.

Área, turno e nível são os parâmetros óbvios. Na nossa leitura, o fator do DISC é mais um, que atravessa as áreas: na mesma sala há quem leia só a primeira linha do e-mail e quem abra o anexo. Na nossa leitura das páginas dos fatores, o que cada um tende a notar num comunicado:

  • Dominância (D). Quem faz o quê. O comunicado que pede uma ação precisa dizer o responsável e o prazo5.
  • Influência (I). Voz em vez de texto. A página do fator diz que prefere resolver por telefone a resolver por e-mail6. O comunicado importante que só vai por e-mail pode ganhar uma versão falada, como um vídeo curto do líder.
  • Estabilidade (S). Tempo para perguntar. A página descreve alguém que escuta até o fim antes de opinar7. Na reunião geral, a rodada de dúvidas no último minuto tende a não dar a vez a quem espera o outro terminar.
  • Conformidade (C). Um lugar para consultar depois. A página diz que costuma escrever bem e guardar registro de tudo8. O comunicado arquivado na intranet, com a data, tende a servir a quem volta a ele semanas depois.

Isso é hipótese: quem lê o comunicado tem os quatro fatores, e o palpite de fora sobre o perfil de alguém tem limites, como o post sobre os perfis DISC mostra.

Faça o teste DISC

Na nossa leitura, o seu fator mostra como você tende a escrever e a ler um comunicado. O teste leva cerca de 5 minutos e devolve os quatro fatores, não só o dominante5.

Como planejar uma ação de endomarketing, passo a passo?

Tratando a comunicação como processo. Almeida, Souza e Mello, falando da comunicação sobre qualidade, pedem planejamento da mensagem principal, da audiência, dos veículos, dos resultados esperados, da métrica para avaliar a resposta, dos fatores críticos e do cronograma1. Em cinco passos:

1. Escreva a mensagem principal em uma frase

Quem é afetado, o que muda e a partir de quando. Se não cabe numa frase, ainda não está pronta para virar comunicado.

2. Separe quem precisa ouvir

A segmentação começa pelo trabalho de cada grupo1: o que muda para o turno da manhã não é o que muda para quem fecha o mês. O fator DISC entra depois, como ajuste de forma.

3. Combine mais de um canal

A combinação de veículos considera a audiência, o tema e a prioridade da mensagem1. O fluxo também anda de baixo para cima: ideias valiosas podem partir de funcionários da base da hierarquia1, e o canal só de anúncio deixa essas ideias sem caminho.

4. Monte o comunicado em camadas

Em vez de escrever quatro versões, escreva uma e organize em camadas: a informação é a mesma, e muda a forma. Exemplo nosso, para a mudança do horário de entrada:

  • Primeira linha. A partir de 1º de dezembro, o expediente começa às 8h30, em todas as áreas. O que muda, para quem e desde quando, antes de qualquer contexto.
  • Segundo bloco. O motivo e o critério da decisão, com os números que a sustentam num anexo.
  • Convite. Na quinta, às 10h, quinze minutos para dúvidas na sala de reunião.
  • Aviso e dúvidas. Publicado com antecedência, com o nome de quem procurar em particular.

As camadas dão a cada leitor por onde entrar, sem separar o time em grupos.

5. Escolha quem fala

A comunicação só é crível quando combina com o comportamento das lideranças, segundo Thornhill e colegas, citados por Almeida, Souza e Mello1. Na nossa leitura, o comunicado da diretoria desmentido pelo gestor da área não chega. Quem escreve também tem fator: quem tem D alto tende a soar duro sem perceber, sobretudo por escrito5, e o post sobre comunicação assertiva mostra como ajustar o tom.

Como saber se o endomarketing funcionou?

Perguntando a quem recebeu. As pesquisas internas são um dos caminhos para medir a receptividade das mensagens, segundo Almeida, Souza e Mello1. Três frases bastam para começar, adaptadas da pesquisa de 20142: sou bem informado a meu respeito e sobre o meu trabalho; a empresa explica os motivos das decisões; as mudanças são comunicadas a todos2. Repetidas a cada semestre, mostram se a empresa melhorou em relação a ela mesma.

O resultado volta para a equipe, seja bom ou ruim: os autores defendem, a propósito da qualidade, que o esforço de comunicação inclua a divulgação dos resultados alcançados, positivos ou negativos1. Percentual de retorno do endomarketing que valha para qualquer empresa não apareceu nas fontes acadêmicas que lemos. A medida que vale é a da própria empresa, antes e depois.

O DISC ajuda a escolher o canal da pesquisa. Na nossa leitura, o formulário pega melhor quem prefere responder por escrito, com precisão8. Uma roda de conversa tende a pegar quem fala melhor do que escreve. Com os dois canais, a pesquisa não escuta só quem escreve bem.

E se você é quem recebe o comunicado?

Saber o seu fator ajuda a pedir o formato que facilita a leitura, sem esperar que a empresa adivinhe.

Na nossa leitura das páginas dos fatores, quem tem Conformidade alta pode pedir o anexo com a fonte do dado, já que costuma perguntar pela fonte antes de aceitar o dado8. Quem tem Estabilidade alta raramente reclama em público7 e pode levar a dúvida em particular a quem comunicou.

É um palpite sobre si mesmo. Se, na prática, você lê de outro jeito, vale o que acontece na prática.

Onde o DISC não entra no endomarketing?

A informação é a mesma para todos, e o DISC muda a forma de entregá-la. Ele não decide quem recebe qual versão do comunicado, quem é reconhecido, quem participa de uma ação nem quem fala em nome da empresa. O resultado de alguém também não vira motivo para entregar a essa pessoa uma versão menor do comunicado.

A página para empresas fala em comunicação clara e adaptada para cada perfil9. Na nossa leitura, no endomarketing adaptar é isso: escolher canal, ordem e tempo. Nenhuma letra vale mais que outra, pelos motivos do post sobre o resultado do teste DISC. O post sobre mapeamento comportamental mostra como aplicar o teste ao time inteiro e ler o resultado.

Para empresas. RH e comunicação interna que aplicam o DISC ao time veem a leitura da equipe no painel9. Na nossa leitura, ela pode ajudar a escolher canais e horários para o grupo, e o comunicado segue o mesmo para todos.
Ver como funciona para empresas

Fontes

  1. Almeida, Lilian Maria de Souza; Souza, Luiz Gonzaga Mariano de; Mello, Carlos Henrique Pereira, 2010. A comunicação interna como um instrumento de promoção da qualidade: estudo de caso em uma empresa global de comunicação (Gestão & Produção, 17(1)). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  2. Polli, Shandô Waltrick, 2015. O endomarketing como ferramenta de relacionamento com o cliente externo (Caderno de Administração, PUC-SP, 9(1)). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  3. Michaelis On-line, 2026. Endomarketing, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  4. Michaelis On-line, 2026. Comunicado, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  5. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Dominante (D) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  6. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Influente (I) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  7. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Estável (S) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  8. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Analítico (C) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  9. Teste sua Personalidade, 2026. Teste DISC para Empresas: avaliação comportamental de equipes. Consultado em 2 de novembro de 2026.

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