DISC

Networking: o que é, como fazer sem forçar e como o perfil DISC muda o jeito de construir contatos

Networking: o que é, por que os contatos pesam na carreira, como construir sem forçar e como cada perfil DISC tende a criar e a manter a sua rede.

Networking: o que é, como fazer sem forçar e como o perfil DISC muda o jeito de construir contatos

O networking é a rede de pessoas que alguém cultiva e a que recorre, e que o dicionário liga especialmente à carreira profissional1. Na nossa leitura, fazer sem forçar é construir antes de precisar, oferecer antes de pedir e manter o contato depois do primeiro encontro2. O perfil DISC mostra por onde cada um tende a começar essa rede e onde costuma deixá-la parada.

O que é networking?

O dicionário Michaelis define networking como a rede de contato com pessoas, no dia a dia, pessoalmente, por telefone ou pela internet, para as necessidades da vida e especialmente para a carreira profissional1.

Num artigo de 2024 de Bianca Becker De Lima na Comunidade Sebrae/PR, a autora diz que o networking não se resume a trocar cartões de visita em eventos e preza por cultivar relacionamentos genuínos e duradouros3.

Na prática, networking é o café com a antiga chefe, a conversa de corredor com o colega de outra área e a mensagem a quem falou no evento da semana passada, repetidos o bastante para virar relação.

Por que os contatos importam para a carreira?

Porque o estudo de como as pessoas conseguem emprego passou a olhar para as relações pessoais. Num artigo na revista Tempo Social, da USP, João Peixoto e Catarina Egreja contam que o estudo da obtenção de emprego avançou quando, nos anos de 1970, se destacou a importância das relações pessoais e das redes sociais no mercado de trabalho4. Ficou demonstrado que muitos empregos obtidos se devem ao uso de ligações pessoais4.

A explicação vem de Mark Granovetter. Segundo os autores, ele provou que a informação circula melhor entre “laços fracos”, isto é, em redes pouco densas, mas com diversos contatos, como amigos não íntimos e conhecidos4. O recurso a “laços fortes”, característicos de redes muito densas, como as de amigos íntimos e familiares, conduz a um fechamento que não favorece a propagação da informação4.

Um fórum da RAE (Revista de Administração de Empresas) resume dois trabalhos de Granovetter, entre eles The Strength of Weak Ties, de 19735. Segundo o fórum, ele concluiu que os conhecidos, como ex-colegas de graduação, é que promovem o acesso aos postos de trabalho, e não os amigos próximos ou familiares5. Para o fórum, o círculo íntimo compartilha as mesmas informações, que são redundantes, enquanto os laços fracos abrem possibilidades de informações novas e mais abrangentes5.

Dois anéis de contatos ao redor de uma pessoa, com a informação que cada anel costuma trazer
Laços fortes e laços fracos, segundo Peixoto e Egreja na Tempo Social e o fórum da RAE; a divisão em dois anéis é leitura nossa.

Na nossa leitura, a sua família e os seus melhores amigos tendem a saber o que você já sabe. A ex-colega com quem você não fala há dois anos pode conhecer uma vaga, um fornecedor ou um projeto que ainda não chegou até você.

A pesquisa tem limite. O estudo de Peixoto e Egreja foi feito com imigrantes brasileiros em Portugal. Os autores admitem que as evidências são tênues e que as redes menos densas parecem explicar melhor a obtenção de emprego4, e pedem que as respostas sejam entendidas de forma exploratória4. Nos dados deles, as redes sociais aparecem ligadas ao recrutamento para pequenas e médias empresas, em contraponto aos meios formais e aos convites diretos das grandes4. Na nossa leitura, contato é um caminho a mais ao lado da candidatura.

Como fazer networking sem forçar?

Em cinco passos, na ordem em que uma relação costuma se formar. As dicas vêm de dois artigos assinados na Comunidade Sebrae/PR, um de Sergio Bernardes Altavini2 e outro de Bianca Becker De Lima3. São textos de colaboradores, não orientação oficial do Sebrae. A ordem dos passos, os exemplos e as frases prontas são recomendações nossas.

1. Tenha uma frase pronta sobre o seu trabalho

Altavini recomenda ter sempre uma explicação rápida sobre o trabalho atual, dita de forma direta e simples, sem enrolação2. Na nossa recomendação, duas frases bastam. Cuido das compras de uma indústria de embalagens e estou trocando dois fornecedores este ano dá à outra pessoa um ponto para perguntar. Trabalho com compras não dá. A lógica é a do parágrafo de apresentação do sobre mim no currículo: área, prova e jeito de trabalhar.

2. Pergunte e escute

Demonstrar interesse nas pessoas e no que elas dizem, com o hábito da escuta ativa, está entre as dicas de Altavini2. Na nossa leitura, uma pergunta aberta sobre o trabalho do outro rende mais que um cartão.

3. Ofereça antes de pedir

Colaborar antes de querer receber é, para Altavini, um dos principais pilares de um networking forte2. Oferecer pode ser simples: mandar o artigo que a pessoa procurava, apresentar dois conhecidos que podem se ajudar, avisar de um evento da área dela.

4. Dê o segundo passo

Nos dois artigos, fazer o primeiro contato e se afastar não adianta2, e o contato regular sustenta relações significativas, pessoais e profissionais3. Na nossa recomendação, uma mensagem em poucos dias, lembrando onde vocês conversaram e levando algo útil, cumpre esse papel.

5. Cuide de quem você já conhece

Para Bianca Becker De Lima, é essencial cultivar os relacionamentos existentes3, e manter contato com antigos colegas está entre as dicas dela3. Uma mensagem possível, exemplo nosso: Oi, Carla, vi que a sua equipe lançou o portal novo. Lembrei da migração que fizemos juntas. Como foi dessa vez? Se um dia quiser trocar ideia sobre fornecedores, me chama. A mensagem não pede nada e deixa a porta aberta.

Eventos, grupos e o LinkedIn servem ao mesmo trabalho: um motivo para falar e uma conversa que continua depois.

Onde a rede de cada perfil DISC tende a parar?

Cada fator tende a começar a rede por um ponto e a deixá-la parada em outro. A leitura abaixo sai das páginas dos fatores e é hipótese, porque cada pessoa tem os quatro. Nenhum fator constrói rede melhor que os outros: cada um chega por um caminho.

  • Dominância (D). Tende a olhar mais para o resultado que para o processo6. No networking, costuma procurar a pessoa certa para um objetivo e resolver a conversa rápido. O que costuma ficar parado é a manutenção, e na nossa leitura isso tem a ver com o fato de o fator perder o interesse em tarefa repetitiva6. O contato que ajudou em março fica sem notícia até a próxima necessidade, e a página do fator lembra que a pressa cobra um preço de quem fica para trás6. Ajuda pôr na agenda, de tempos em tempos, uma mensagem sem pedido nenhum.
  • Influência (I). Tende a abrir a conversa com quem ainda não conhece7, e a página do fator cita uma rede ampla e ativa de conexões7. O que costuma faltar é aprofundar: segundo a página, o que sustenta a carreira desse perfil é ser lembrado depois, e falar bem sozinho não garante isso7. Como o detalhe fica para depois7, a conversa animada de sexta tende a virar, na segunda, um nome sem contexto. Anotar no mesmo dia o que cada pessoa faz e o que ficou de mandar ajuda.
  • Estabilidade (S). Tende a escutar de verdade, e isso faz o outro se abrir8: a conversa a dois tende a ir longe. O desafio é o ambiente em que aparece quem fala mais alto, onde o fator some de vista8. Como prefere acertar os detalhes de antemão a improvisar8, o evento cheio e sem roteiro pode custar caro. Na nossa leitura, o caminho é reativar quem já conhece e mostrar o que fez, já que a carreira desse perfil ganha tração quando ele deixa o próprio trabalho à vista8.
  • Conformidade (C). Tende a separar vínculo de trabalho e a preferir clareza à informalidade9, e a responder por escrito, com precisão9. A conversa solta de evento tende a dar pouco resultado, e a mensagem com assunto concreto, mais. O ponto de atenção é explicar mais do que o momento exige9: a outra pessoa perde o fio. A frase curta do primeiro passo ajuda aqui.

Faça o teste DISC

A ordem dos seus quatro fatores dá uma pista de onde a sua rede tende a parar: no primeiro contato, na conversa ou na volta. O teste leva cerca de 5 minutos e devolve os quatro fatores, não só o dominante6.

Que erros atrapalham o networking?

Quatro erros que, na nossa leitura, decorrem das dicas dos dois artigos:

  • Aparecer só para pedir. O networking inclui contribuir para o desenvolvimento da comunidade profissional, e não só buscar vantagens individuais3.
  • Colecionar contatos. Importa mais a qualidade que a quantidade2.
  • Chegar sem saber o que dizer. Uma comunicação falha pode gerar desinteresse no possível parceiro3. A frase pronta sobre o trabalho, do primeiro passo, evita isso.
  • Aparecer de vez em quando. O artigo de Altavini pede constância nos encontros dos grupos de interesse, em vez da presença esporádica2.

Como fazer networking com pessoas de estilos diferentes?

Dividindo o trabalho em dupla e lendo a primeira resposta de cada um sem concluir nada sobre a pessoa. Na nossa leitura, duas situações mostram como.

Em dupla, no evento. Quem começa conversas com desconhecidos7 abre os contatos, e quem prefere responder por escrito, com precisão9, manda as mensagens do dia seguinte. Fechar a divisão no dia anterior ajuda quem prefere acertar tudo de antemão8.

Na primeira resposta. Ela tende a variar com o estilo de quem responde.

Quem tem D alto costuma ir direto ao assunto6, e a página pede para não levar a franqueza dele para o lado pessoal6. Quem tem C alto tende a querer saber a origem do dado antes de aceitá-lo9, então a pergunta sobre o motivo do seu contato costuma indicar interesse.

Esse palpite tem os limites que o post sobre os perfis DISC descreve: você vê a pessoa num lugar só, e o segundo fator do resultado pode mudar a leitura do primeiro. O que a pessoa faz na conversa pesa mais que a letra que você imagina.

Como o gestor pode incentivar a rede do time?

Dando tempo e apresentação, sem usar o perfil para escolher quem faz networking. Duas frentes ajudam.

  • Tempo na agenda. Na nossa recomendação, um horário por mês reservado a um grupo ou a uma comunidade profissional vale mais que um dia de feira por ano.
  • Apresentação. Apresentar um liderado a um contato do gestor é oferecer antes de pedir2.

O perfil não escolhe quem representa a empresa nem quem “tem jeito” para contatos. A página sobre DISC e carreira diz que a empresa madura usa o DISC para montar equipe, não para escolher vencedor10, e a página para empresas fala em equipes complementares, com perfis diversos que cobrem as competências necessárias11. Os pares de estilo que mais se esbarram numa equipe estão no post sobre trabalho em equipe.

Para empresas. A rede do time se constrói por caminhos diferentes. Com o resultado DISC de cada pessoa, o gestor tem uma pista de por onde ela tende a começar e pode conversar sobre isso, sem decidir por ela.
Ver como funciona para empresas

Fontes

  1. Michaelis On-line, 2026. Networking, no Michaelis On-line (português brasileiro). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  2. Altavini, Sergio Bernardes (Comunidade Sebrae/PR), 2022. Networking no ecossistema de inovação (Comunidade Sebrae/PR, 10 jan. 2022). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  3. De Lima, Bianca Becker (Comunidade Sebrae/PR), 2024. O uso do networking para o sucesso empresarial + dicas (Comunidade Sebrae/PR, 30 abr. 2024). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  4. Peixoto, João; Egreja, Catarina, 2012. A força dos laços fracos: estratégias de emprego entre os imigrantes brasileiros em Portugal (Tempo Social, USP, v. 24, n. 1, p. 263-281). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  5. Martes, Ana Cristina Braga; Bulgacov, Sérgio; Nascimento, Mauricio Reinert do; Gonçalves, Sandro Aparecido; Augusto, Paulo Mussi, 2006. Fórum: redes sociais e interorganizacionais (RAE – Revista de Administração de Empresas, v. 46, n. 3, p. 10-15). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  6. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Dominante (D) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  7. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Influente (I) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  8. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Estável (S) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  9. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Analítico (C) do DISC: como reconhecer e o que muda no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  10. Teste sua Personalidade, 2026. Teste DISC e carreira: como o seu perfil aparece no trabalho. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  11. Teste sua Personalidade, 2026. Teste DISC para Empresas | Avaliação Comportamental de Equipes. Consultado em 2 de novembro de 2026.

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