DISC

Inteligência emocional: o que é, exemplos e como cada perfil DISC lida com ela

Inteligência emocional: o que é, o modelo de Goleman, o que um estudo achou no trabalho e como cada perfil DISC lida com a emoção sob pressão.

Inteligência emocional: o que é, exemplos e como cada perfil DISC lida com ela

Inteligência emocional é a capacidade de perceber, avaliar e expressar emoções, de usá-las para pensar, de compreendê-las e de controlá-las1. O conceito foi proposto por Peter Salovey e John Mayer1 e ficou conhecido com o livro de Daniel Goleman1. O perfil DISC ajuda a ver onde a pressão costuma pegar você e por onde começar a treinar.

O que é inteligência emocional?

É um conjunto de quatro capacidades ligadas às emoções. Na definição de Mayer e Salovey, ela reúne perceber, avaliar e expressar emoções; gerar sentimentos quando eles ajudam a pensar; compreender a emoção; e controlá-la para crescer emocional e intelectualmente1. Os dois autores organizam as quatro capacidades1 da mais simples à mais complexa1:

  • Perceber. Identificar a emoção em você e nas outras pessoas1.
  • Usar. Deixar a emoção ajudar o pensamento, porque ela pode dirigir a atenção para as informações que mais importam1.
  • Compreender. Dar nome à emoção e entender o que ela diz sobre a relação com o outro1.
  • Administrar. Lidar com a emoção em você e nos outros, moderando as negativas e valorizando as agradáveis1.
As quatro capacidades da inteligência emocional em degraus: perceber, usar, compreender e administrar as emoções
As quatro capacidades, da mais simples à mais complexa.

Um exemplo de trabalho mostra as quatro em sequência. No meio da reunião, você nota que está irritado. Repara que a irritação aponta para o prazo, que ficou impossível, e não para o colega que apresentou o plano. Entende que ele também está apertado. E escolhe falar do prazo no fim da reunião, no tom de voz de sempre.

O perfil DISC entra nesse ponto. Ele fica no comportamento que aparece no trabalho, inclusive em como a pessoa reage à pressão2. Este post usa esse retrato para sugerir, mais abaixo, qual domínio cada fator pode exercitar primeiro.

Inteligência emocional segundo Daniel Goleman

O conceito não é de Goleman. Ele foi proposto por Peter Salovey e John Mayer em 19901 e ficou conhecido nos anos 90 com um livro que Goleman publicou em 19951. Depois do livro, o termo se espalhou depressa por vários setores da sociedade1 e chegou rápido às empresas1.

Para Goleman, inteligência emocional não é o seu QI: é o jeito como você administra a si mesmo e as suas relações com os outros3. O modelo dele tem quatro domínios e 12 competências3. Os domínios são autoconsciência, autogestão, consciência social e gestão de relacionamentos3.

Uma das competências é a autoconsciência emocional, que é entender as próprias emoções e o efeito delas no seu desempenho3. Outra é a empatia, perceber o que os outros sentem e como eles enxergam as coisas3. A gestão de conflitos inclui ajudar os outros a atravessar situações tensas ou carregadas de emoção3.

Os quatro domínios também servem de mapa para ler o DISC: mais abaixo, cada fator aparece com o domínio que vale exercitar primeiro.

Inteligência emocional no trabalho faz diferença?

Um estudo brasileiro encontrou ligação com o desempenho, numa parte específica. Publicado em 2006, ele teve 119 participantes de 17 a 64 anos1, que trabalham em empresas do interior de São Paulo1. O desempenho de cada participante foi avaliado por duas pessoas, um supervisor e um colega1. A regulação das emoções, a capacidade de administrar o que se sente, apareceu correlacionada ao desempenho no trabalho1.

Correlação quer dizer que as duas coisas andam juntas, e não que uma cause a outra. Os mesmos autores chamam de um tanto exageradas as ideias, divulgadas pelo livro de Goleman, de que a inteligência emocional seria a capacidade mais importante para explicar o sucesso no trabalho1.

Ou seja: no estudo, uma parte da inteligência emocional teve ligação com o desempenho, mas ela não explica sozinha por que alguém vai bem ou mal no emprego. Vale desconfiar de conta pronta que diz quanto do sucesso vem da emoção e quanto vem do QI.

Como cada perfil DISC lida com a inteligência emocional?

Cada fator do DISC tende a ter o seu gatilho e a sua força quando a pressão aumenta. Saber qual é o seu ajuda a ver onde a emoção pega você e qual domínio de Goleman vale exercitar antes dos outros.

Dominância (D)

A paciência acaba quando a conversa volta ao mesmo ponto pela terceira vez4. Em compensação, é quem sustenta a pressão sem paralisar4. A intenção de quem tem D alto é resolver o problema, e não vencer a pessoa4, mas, quando a pressão sobe e falta autoconhecimento, esse limite fica mais fino4. O domínio a exercitar primeiro é a autogestão: notar a impaciência antes que ela chegue à voz.

Influência (I)

O que derruba é o silêncio: a energia cai em ambiente silencioso e isolado5. O que essa pessoa dá ao time é o otimismo que o sustenta em fase ruim5. Também aqui o domínio é a autogestão, só que da própria energia, para manter o ritmo quando não há ninguém em volta.

Estabilidade (S)

Mudança anunciada sem tempo de digestão parece aceita por fora e trava por dentro6. Quem tem S alto costuma perceber primeiro que alguém do time está mal6, mas tende a guardar a própria insatisfação por muito tempo6. Vale começar pela autoconsciência: olhar para o próprio incômodo com a atenção que já dá ao dos colegas.

Conformidade (C)

Decisão tomada no achismo incomoda7, e a cobrança que essa pessoa faz a si mesma costuma ser maior do que a que recebe7. A seu favor, ela evita improviso e decisão sem critério7. Contra, o time pode ler como frieza o que muitas vezes é foco7. O domínio a exercitar é a gestão de relacionamentos: contar ao time o que está pensando, para que o silêncio não pareça desinteresse.

A página de cada fator traz mais sobre ele: Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade.

Para empresas. Ver o time pelo DISC mostra onde a pressão pega cada pessoa e ajuda a combinar como cada uma prefere receber uma mudança ou uma cobrança.
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Para ver qual fator vem na frente no seu resultado e onde a pressão costuma pegar você, responda ao teste abaixo.

Como desenvolver a inteligência emocional?

Um domínio de cada vez, com um exercício que cabe na rotina de trabalho, e só passando ao próximo quando o anterior sair sem esforço. Os quatro abaixo seguem os domínios do modelo de Goleman3:

  • Autoconsciência: dar nome exato ao que sente. Irritação, frustração, cansaço e insegurança pedem respostas diferentes, e dar nome à emoção é uma das capacidades que Mayer e Salovey descrevem1. Depois, pergunte o que ela está apontando, porque a emoção pode puxar a atenção para o que importa1. O desânimo com um projeto pode estar avisando que ninguém sabe para que ele serve. É o primeiro exercício para quem tem Estabilidade alta.
  • Autogestão: criar um intervalo entre o gatilho e a resposta. No modelo de Goleman, autocontrole emocional é manter sob controle as emoções e os impulsos que atrapalham, para seguir funcionando sob estresse3. Decisão importante tomada no pico da irritação pode esperar uma volta no quarteirão. Se o problema é a energia que cai quando você trabalha sozinho, experimente dividir a tarefa longa em entregas curtas e mostrar cada uma a alguém. É o primeiro exercício para quem tem Dominância ou Influência alta.
  • Consciência social: ler o outro antes de responder. Repare no tom, na pausa e no que a pessoa deixou de dizer. Perceber a emoção é a primeira capacidade do modelo de Mayer e Salovey1, e vale para a sua e para a dos outros1.
  • Gestão de relacionamentos: contar como você está antes que o outro adivinhe. Diga numa frase curta, como travei nessa parte, não é com você, em vez de deixar o colega adivinhar o que o seu silêncio quer dizer. É o primeiro exercício para quem tem Conformidade alta.

Perfil mais calmo tem mais inteligência emocional?

Não necessariamente. A calma que aparece por fora fala do estilo de cada um. No DISC, quem tem S alto costuma trabalhar de forma constante e ouvir mais do que fala6, e quem tem D alto costuma falar de forma direta4. Inteligência emocional fala de outra coisa: do que a pessoa faz com o que sente.

No modelo de Mayer e Salovey1, administrar a emoção inclui ficar aberto aos sentimentos, agradáveis ou desagradáveis1, sem reprimir nem exagerar o que eles provocam1. Reprimir fica fora da definição, do mesmo jeito que explodir. Quem nunca reclama pode estar acumulando, e quem diz numa frase clara que ficou chateado pode estar administrando muito bem o que sente.

Fontes

  1. Cobêro, C.; Primi, R.; Muniz, M., 2006. Inteligência emocional e desempenho no trabalho: um estudo com MSCEIT, BPR-5 e 16PF. Consultado em 3 de outubro de 2026.
  2. Teste sua Personalidade, 2026. DISC: os quatro fatores e como o modelo funciona. Consultado em 3 de outubro de 2026.
  3. Key Step Media, 2021. What is Emotional Intelligence (EI)?. Consultado em 3 de outubro de 2026.
  4. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Dominância (D) do DISC. Consultado em 3 de outubro de 2026.
  5. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Influência (I) do DISC. Consultado em 3 de outubro de 2026.
  6. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Estabilidade (S) do DISC. Consultado em 3 de outubro de 2026.
  7. Teste sua Personalidade, 2026. Perfil Conformidade (C) do DISC. Consultado em 3 de outubro de 2026.

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