Eneagrama

Motivação no trabalho: o que move cada pessoa e o que o Eneagrama mostra

Motivação no trabalho: de dentro ou de fora, o que a sustenta e o que o Tipo Principal do Eneagrama pode ajudar a olhar.

Motivação no trabalho: o que move cada pessoa e o que o Eneagrama mostra

Motivação no trabalho é, em termos de dicionário, o conjunto dos motivos que levam uma pessoa a agir de determinada maneira1, aqui aplicado ao que ela faz no trabalho. Na nossa leitura dos estudos brasileiros, o que a sustenta passa por autonomia, sentido e progresso. O Tipo Principal do Eneagrama pode ajudar a ver qual dos três pesa mais para você.

Motivação no trabalho: o que a palavra quer dizer?

Imagine esta cena, inventada para ilustrar. O bônus do trimestre saiu na sexta. Na segunda, a analista abre a planilha de sempre e não sente vontade nenhuma de começar. Nada deu errado, e mesmo assim falta uma coisa que o dinheiro não trouxe.

O dicionário ajuda a dar nome ao que falta. No Michaelis, motivação é o ato ou efeito de motivar2. Motivar, no outro dicionário de referência, é despertar entusiasmo, interesse ou estímulo3. A raiz de motivo é o latim medieval motivus, relativo ao movimento4.

A desmotivação é a perda ou a ausência de motivação, ou de interesse5. Na nossa leitura, a analista da cena tem a capacidade de sempre e perdeu o motivo de começar.

Na revisão de Tolfo e Piccinini, publicada em 2007 na revista Psicologia & Sociedade, o motivo, a razão pela qual a pessoa trabalha, aparece entre as variáveis que influenciam um trabalho com sentido6. A pergunta que rende é de onde vem a motivação de cada tarefa: do trabalho em si, de um valor da pessoa ou de algo que vem de fora.

Motivação de dentro e de fora: onde fica a fronteira?

A motivação intrínseca vem da própria atividade, e a extrínseca vem do que a atividade rende. Machado, Cabral e Vaccaro, num artigo de 2018 na Revista de Administração Contemporânea, descrevem a intrínseca como a de quem se sente livre de pressões, reconhecimentos ou contingências, sem condições ou reforços externos7. Já a extrínseca exige recompensas tangíveis ou verbais, e a satisfação não vem da própria atividade, mas das consequências a que ela leva7.

A fronteira entre as duas tem graus. Quando a pessoa pega uma regra de fora e a transforma em regra sua, quanto mais internalizada ela fica, mais autônomo é o comportamento7. Agir para se sentir digno é um dos estágios do meio7. Mais perto de dentro, a pessoa identifica os valores do trabalho com os seus próprios valores e objetivos7.

Escada com degraus que vão da razão de fora, como a recompensa, até a razão de dentro, a própria atividade
De fora para dentro: as quatro razões vêm do artigo de Machado, Cabral e Vaccaro, e o desenho em degraus é nosso.

O artigo estudou trabalhadores de empresas de tecnologia do Sul do Brasil7, com 256 respondentes de questionário e 6 entrevistas7. O resultado indicou que existem os dois tipos de motivação, a autônoma e a controlada, e que ambos são importantes para o grupo pesquisado7. A amostra é de uma única área e não vale como regra para toda profissão.

Na nossa leitura, quase toda tarefa tem mais de uma razão. Vale perguntar, de cada uma, qual pesa mais e quem a escolheu.

O que mantém alguém em movimento no trabalho?

Na nossa leitura dos estudos brasileiros, três condições se destacam: a autonomia, o sentido e o progresso. Autonomia e sentido aparecem nos textos com esses nomes. O progresso é um agrupamento nosso do retorno sobre o desempenho e da autoeficácia, e nenhum estudo trata dele com esse nome. Na nossa leitura, o peso de cada condição varia de pessoa para pessoa, e é nessa variação que o Tipo Principal do Eneagrama pode ajudar a olhar.

Autonomia: decidir como fazer

A teoria da autodeterminação trata a autonomia como uma de três necessidades psicológicas fundamentais, ao lado da competência e do vínculo7. No artigo de 2018, ela é a sensação de vontade e liberdade psicológica7. Na revisão de Tolfo e Piccinini, o modelo de Hackman e Oldham liga o trabalho com sentido à autonomia, à liberdade e à independência para determinar como as tarefas serão feitas, o que aumenta o sentimento de responsabilidade por elas6.

Sentido: saber para que serve

Para quem o realiza, um trabalho que tem sentido é importante, útil e legítimo6. Morin, citada pela revisão, descreve o sentido do trabalho como uma estrutura afetiva com três componentes: o significado, a orientação e a coerência6.

Num levantamento com 333 servidores públicos de Belo Horizonte, o principal motivador foi o valor intrínseco que eles percebiam no próprio trabalho e na missão do serviço8. É uma amostra de servidores de uma cidade e não vale como regra para todo trabalho. Na nossa leitura, saber quem usa o que se faz dá ao trabalho um motivo que uma lista de benefícios sozinha não dá. Os valores que cada pessoa leva para o trabalho têm um post próprio, o post sobre valores pessoais.

Progresso: ver que andou

O retorno sobre o desempenho permite à pessoa fazer os ajustes de que precisa para melhorar6. No levantamento com os servidores, a autoeficácia, a sensação de competência para as tarefas8, influenciou diretamente a motivação8 e se mostrou maior quando havia metas claras e retorno sobre o progresso8.

Dinheiro e bônus motivam?

Motivam quando a pessoa liga o que faz ao que recebe. No levantamento com os servidores, a instrumentalidade, a percepção de que o desempenho conduz a uma recompensa, foi o segundo fator de maior influência sobre a motivação8. Já as recompensas externas não são motivadoras por si sós: elas motivam apenas quando vinculadas ao desempenho8.

Na nossa leitura, elogio e bônus pertencem à mesma família, a das recompensas de fora7, e um bônus que a pessoa não consegue ligar ao que fez carrega pouco peso na segunda-feira seguinte.

Por que a motivação oscila?

Porque ela depende das condições em volta, e as condições mudam. Ryan e Deci, num artigo de 2000 sobre a teoria da autodeterminação, escrevem que as pessoas podem ser proativas e engajadas ou passivas e alienadas, em boa parte em função das condições sociais em que se desenvolvem e atuam9. Quando as necessidades psicológicas que a teoria descreve7 são frustradas, a motivação diminui9.

O que pesa também varia ao longo da carreira. No artigo de 2018, os profissionais com mais de 50 anos foram os que mais valorizaram a regulação identificada, em que os valores do trabalho se aproximam dos valores da pessoa7, e os de até 30 anos, os que menos a valorizaram7. No levantamento com servidores públicos, a faixa etária mais elevada apresentou maiores médias de motivação8. Os dois grupos são específicos, e as médias não desenham uma curva de vida.

Outra cena inventada para ilustrar: um técnico de manutenção escolhia a ordem dos reparos do dia. Com o sistema novo de ordens de serviço, a fila chega pronta. O conserto continua igual, e a decisão sobre a ordem saiu da mão dele.

Na nossa leitura, uma queda de motivação costuma ter endereço: uma das condições mudou.

O que o Eneagrama tem a ver com a motivação no trabalho?

Na nossa leitura, o Eneagrama serve de ponto de partida para olhar a própria resposta, e autonomia, sentido e progresso valem para todo mundo, com a falta de cada uma incomodando em graus diferentes. O Tipo Principal é uma das lentes para perguntar por que, no seu caso, uma delas pesa mais.

Quando o trabalho pesa, qual condição faltou primeiro? E alguma frase da descrição do seu Tipo Principal conversa com essa falta? A primeira parte se responde olhando para os dias, e a segunda, lendo a descrição com calma. A resposta pode ser que nenhuma frase conversa, e isso também informa.

Na nossa leitura, nenhum dos 9 perfis do Eneagrama precisa de menos autonomia, sentido ou progresso. Cada um tem as três condições para cuidar, e o tipo só ajuda a escolher por onde começar.

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Responder leva cerca de 5 minutos, em 22 perguntas10, e o Tipo Principal que sai fica anotado para a próxima segunda-feira sem vontade.

Como cuidar da sua motivação no trabalho

Mexendo em uma condição por vez, a que mais faltou. Os cinco passos abaixo, inclusive o do dia bom e do dia ruim, são sugestões nossas a partir do que lemos, e não método de estudo:

  • Compare um dia bom e um dia ruim. Escreva o que aconteceu em cada um quanto à autonomia, ao sentido e ao progresso. A condição que mais difere entre os dois é a candidata.
  • Escolha uma só para este mês. Mexer nas três juntas dilui o efeito e deixa você sem saber o que funcionou.
  • Faça um pedido concreto. Para a autonomia, decidir a ordem das tarefas da semana. Para o sentido, saber quem usa o que você entrega. Para o progresso, combinar um retorno curto sobre o andamento, já que o retorno sobre o desempenho permite ajustes6.
  • Registre o que andou. Na sexta, anote o que ficou pronto ou melhorou. Metas claras e retorno sobre o progresso andaram com mais autoeficácia no levantamento com servidores8.
  • Releia com o Tipo Principal. Procure na descrição do seu tipo a frase que conversa com a condição que faltou e leve essa ideia, em palavras suas, para a conversa com a chefia.

Um exemplo numa marcenaria

Personagem inventado para ilustrar os passos, sem caso real por trás. Projetista numa marcenaria de móveis planejados, ele passou o trimestre fazendo só ajustes em projetos que outras pessoas começaram. Ao comparar um dia bom e um ruim, vê que o bom foi aquele em que fechou um projeto inteiro e o cliente aprovou. O ruim foi uma sequência de ajustes sem saber se tinham servido.

A condição que faltava era o progresso. Ele lê a descrição do próprio Tipo Principal e encontra uma frase que conversa com o dia do projeto fechado. Ela não responde nada por ele: só lhe dá uma palavra para explicar o que pesou. Na conversa com o dono, pede para levar um projeto do começo ao fim por mês e para receber o retorno do cliente.

O dono topa. No fim do mês, a lista de sexta tem um projeto aprovado e dois ajustes que o cliente elogiou.

Como cuidar da motivação de uma equipe?

Cuidando das condições que a organização controla e perguntando a cada pessoa qual delas falta. Para Morin, citada pela revisão, a organização do trabalho deve oferecer a possibilidade de realizar algo que tenha sentido, de desenvolver competências e julgamento, de conhecer a evolução do próprio desempenho e de se ajustar6.

Na prática, três gestos cobrem boa parte disso: deixar o como com quem faz, dizer quem usa o resultado de cada entrega e dar retorno sobre o andamento com meta clara. No levantamento com servidores, a autoeficácia foi maior onde havia as duas coisas8.

A condição que falta a cada pessoa se descobre perguntando, sem palpite sobre o perfil dela. Cada um descobre o próprio tipo11, como explica o post sobre o que é o Eneagrama. O laço da pessoa com a empresa é outro assunto, tratado no post sobre comprometimento.

Para empresas. A conversa individual do trimestre, com autonomia, sentido e progresso na pauta, descobre perguntando o que falta a cada pessoa. Quem fez o teste pode levar o Tipo Principal como um dado a mais, por escolha dela.
Ver como funciona para empresas

Fontes

  1. Priberam, 2026. Motivação, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  2. Michaelis, 2026. Motivação, Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  3. Priberam, 2026. Motivar, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  4. Priberam, 2026. Motivo, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  5. Priberam, 2026. Desmotivação, no Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  6. Suzana da Rosa Tolfo; Valmíria Piccinini, 2007. Sentidos e significados do trabalho: explorando conceitos, variáveis e estudos empíricos brasileiros (Psicologia & Sociedade, v. 19). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  7. Clarice Lucas da Silva Machado; Patrícia Martins Fagundes Cabral; Guilherme Luís Roehe Vaccaro, 2018. Segmento de Tecnologia Analisado pela Multidimensional Work Motivation Scale (Revista de Administração Contemporânea, v. 22, n. 3). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  8. Weslei Alves Rodrigues; Mário Teixeira Reis Neto; Cid Gonçalves Filho, 2014. As influências na motivação para o trabalho em ambientes com metas e recompensas: um estudo no setor público (Revista de Administração Pública, v. 48). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  9. Richard M. Ryan; Edward L. Deci, 2000. Self-determination theory and the facilitation of intrinsic motivation, social development, and well-being (American Psychologist). Consultado em 2 de novembro de 2026.
  10. Teste sua Personalidade, 2026. Teste de Eneagrama. Descubra seu Tipo, página do teste. Consultado em 2 de novembro de 2026.
  11. Teste sua Personalidade, 2026. O que é o Eneagrama, página do site. Consultado em 2 de novembro de 2026.

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