Uma forma de entender a transição de carreira é como qualquer mudança importante no que o trabalho exige, na função ou no contexto, e isso inclui trocar de área sem sair da empresa1. Ela pode nascer de uma escolha ou ser imposta1. O teste vocacional ajuda a decidir para onde ir pelos seus interesses, e não só pelo que você quer deixar para trás.
O que é transição de carreira?
É a passagem de um papel profissional para outro. Nicholson e West (1989), citados num artigo brasileiro de 2014, definem a transição de papel profissional como qualquer mudança importante de exigência na função ou no contexto de trabalho1. Pela visão de Louis (1980), retomada no mesmo artigo, isso vale tanto para a troca de empresa quanto para mudanças no trabalho atual, como uma chefia nova1.
A transição pode vir da decisão de buscar novos desafios ou de situações que obrigam a pessoa a se adaptar, como perder o emprego ou receber uma proposta de mudança de trabalho1.
Mudar de área é o caso mais visível. Um estudo brasileiro de 2015 com profissionais de tecnologia separa duas saídas: trocar de emprego e continuar na mesma área2, ou deixar a área e assumir uma posição em outra área funcional, da própria empresa ou de fora dela2. Na segunda, a área nova pode estar no andar de baixo.
Em qualquer dos casos, a pergunta de fundo é que tipo de trabalho você quer fazer depois. É nela que entra o teste vocacional RIASEC, que organiza os interesses profissionais em seis tipos3.
O que leva alguém a mudar de área?
Numa pesquisa brasileira com profissionais de tecnologia, a exaustão com o trabalho veio em primeiro lugar2. O estudo de 2015 ouviu 375 pessoas, e 323 questionários foram considerados válidos2. Os antecedentes da mudança para outras áreas foram a exaustão, a insatisfação com a área em geral, a necessidade de novas experiências para continuar atrativo ao mercado, a necessidade de crescer e uma capacitação gerencial feita antes, de forma consciente2.
Desses cinco, só a exaustão teve efeito médio na intenção de mudar2. Os outros quatro tiveram efeito pequeno2.
Exaustão, ali, não é só excesso de trabalho. O conceito usado no estudo inclui papéis confusos ou em conflito, falta de autonomia para fazer as tarefas, capacitação insuficiente e falta de recompensa quando a meta é atingida2.
Boa parte dessa lista depende de como o trabalho está organizado, e não do tipo de atividade. A diferença decide se a saída é outra área ou só outro emprego, e o guia sobre mudar de carreira, no site do teste, ajuda a separar uma coisa da outra.
Dois limites do estudo: todos eram da área de tecnologia2, e a amostra foi de conveniência2. E ele mediu o que empurra a pessoa para fora da área, não para onde ela quer ir.
Existe idade certa para a transição de carreira?
Os três estudos brasileiros citados aqui não marcam uma idade. No de 2015, com profissionais de tecnologia, a hipótese de que a mudança de área estaria ligada a uma crise de meia-idade, entre 35 e 45 anos2, não se confirmou. Não deu para afirmar que a intenção de mudar fosse diferente entre quem estava nessa faixa e quem não estava2.
Um estudo de 2020 com 357 professores universitários que tinham vindo de outras profissões4 concluiu que as frustrações ligadas à crise do meio da carreira podem provocar transições já a partir dos 25 anos4. A dúvida pode chegar cedo.
Do outro lado da faixa, um estudo de 2021 entrevistou oito profissionais de 35 a 54 anos5. Todos estavam em transição havia pelo menos um ano5, e a vontade de mudar apareceu meses ou anos antes da mudança5. Os autores sugerem planejar essa fase5.
Seja qual for a idade, a pergunta que o teste vocacional ajuda a responder é a mesma: que tipo de atividade você quer ter no dia.
Como os interesses guiam a transição de carreira
Mostrando para onde ir, e não só do que sair. A frustração com o trabalho atual diz o que você quer deixar, mas não diz qual atividade vai querer no lugar.
No estudo de 2020, quem se sentiu inseguro com a profissão anterior tendeu a tomar decisões de transição menos racionais4. Um artigo de 2022 sobre decisões em transições de carreira recomenda avaliar os motivos da vontade de mudar, porque a visão negativa da situação atual pode levar a decisões tomadas pela emoção6.
O resultado do teste vocacional entra nesse ponto. Ele mostra quais interesses são mais fortes em você3, e com isso a área nova pode ser comparada pelo tipo de atividade que pede no dia a dia, e não pelo quanto parece longe da atual.
Um exemplo montado para este texto: um analista de suporte de TI, cansado de anos de chamados, pensa em pedir para mudar de área. A empresa tem duas vagas internas abertas, uma no treinamento de usuários e outra em qualidade de processos. No resultado do teste, o Social aparece entre os interesses mais fortes.
A página desse perfil diz que o tipo prefere resolver conversando a resolver por sistema7, e que o interesse Social fala de onde a pessoa gasta energia, não de temperamento7.
Com essa régua, a pergunta muda. Em vez de procurar a vaga mais longe do suporte, ele passa a perguntar em qual delas o dia tem mais conversa e menos sistema. O nome da vaga não responde: o treinamento pode ser montar curso na plataforma a semana inteira, e a qualidade de processos pode ser passar as tardes ouvindo as equipes para entender onde o trabalho trava.
Quem responde é o dia real de cada vaga, que o analista ainda precisa conhecer. O post sobre o que é o teste vocacional mostra como comparar o resultado com a rotina de uma área.
Faça o teste vocacional
Antes de pedir a mudança de área ou de olhar vagas fora, o resultado do teste dá a régua para comparar os caminhos. São 60 perguntas.
Descubra seu código RIASEC. Responda ao teste e veja seus interesses organizados no código RIASEC.
Fazer o teste vocacional
Dá para mudar de área sem sair da empresa?
Dá, e pela visão de Louis isso também é transição de carreira1. O estudo de 2015 descreve a ida para outra área como uma saída para dentro da empresa ou para fora dela2 e retoma Reich e Kaarst-Brown, para quem as próprias empresas estimulam essa mudança em alguns profissionais de TI2.
Ficar na mesma empresa pode deixar a troca mais leve. Ashforth (2001), citado no artigo de 2014, diz que uma transição tende a ser mais fácil e vista de forma mais positiva quando é de baixa magnitude, de longa duração, socialmente desejável, voluntária, previsível, coletiva e reversível1.
Uma mudança de área dentro da empresa pode juntar vários desses itens: a pessoa escolhe, já conhece parte das pessoas, a renda não para e, às vezes, dá para voltar. Nenhum deles é automático, e por isso entram no combinado com o RH.
O artigo de 2014 também resume uma estratégia de Ibarra: projetos e funções paralelas podem ajudar a pessoa a se identificar com um novo tipo de trabalho, e experimentar novos caminhos sem se comprometer é importante1. Dentro da empresa, isso pode ser um projeto com a área nova antes da mudança, a mesma prova antes de sair que o guia sobre mudar de carreira propõe.
Para Ibarra, é testando a realidade que as pessoas aprendem sobre si mesmas1. No exemplo do analista de suporte, isso seria passar algumas tardes com a equipe de treinamento e outras com a de qualidade, para ver em qual delas o dia tem mais conversa.
Como o RH apoia quem quer mudar de área
Com informação sobre a área nova e com prazo e volta combinados. A transição pode começar antes do pedido: no estudo de 2015, muitos profissionais se preparavam com consciência para sair da área, com cursos executivos e conversa com gente da área de negócios2. O RH pode abrir a conversa sobre o que a pessoa quer fazer sem esperar o pedido, como o post sobre turnover mostra para quem pensa em deixar a empresa.
Dois apoios que dependem do RH:
- Informação sobre a área nova. A falta de informação é uma das três dificuldades da escolha de carreira que o artigo de 2022 retoma de Gati e outros (1996)6. Descrever o dia de quem trabalha na área de destino resolve parte dela.
- Prazo e volta combinados. O mesmo artigo põe entre os pontos a pensar antes da mudança o tempo de adaptação à situação nova e a possibilidade de voltar6. Escrito antes, isso deixa a transição previsível e reversível, dois dos atributos citados na seção anterior.
Para o RH, uma regra a mais: quem leva o resultado do teste vocacional para a conversa é a própria pessoa, se quiser, e ele não serve de critério para preencher a vaga interna. O post sobre plano de carreira explica por quê.
Fontes
- Elza Fátima Rosa Veloso; Joel Souza Dutra, 2014. A tomada de decisões na transição de carreira: uma proposta de associação de conceitos (Revista Administração em Diálogo, v. 16, n. 2). Consultado em 14 de outubro de 2026.
- Luiz Antonio Joia; Ursula Barreto Mangia, 2015. Antecedentes à transição de carreira dos profissionais de Tecnologia da Informação (Revista de Administração, São Paulo, v. 50, n. 4). Consultado em 14 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Teste Vocacional RIASEC (página inicial, perguntas frequentes). Consultado em 14 de outubro de 2026.
- Elza Fátima Rosa Veloso; Joel Souza Dutra; Rodrigo Cunha da Silva; Leonardo Nelmi Trevisan, 2020. A racionalidade das decisões na transição interprofissão de professores universitários (Cadernos EBAPE.BR, v. 18, n. 1). Consultado em 14 de outubro de 2026.
- Mafalda Maria de Medeiros Anderson; Silvio Roberto Stefani; Leonardo Nelmi Trevisan; Elza Fátima Rosa Veloso, 2021. Transição de carreira de profissionais da meia-idade (Revista de Administração da UFSM, v. 14, n. 1). Consultado em 14 de outubro de 2026.
- Elza Fátima Rosa Veloso, 2022. Modelo de orientação de decisões em transições de carreira (Revista Administração em Diálogo, v. 24, n. 3). Consultado em 14 de outubro de 2026.
- Teste Vocacional RIASEC, 2026. Perfil Social (S): carreiras e características. Consultado em 14 de outubro de 2026.